projeto MILF 2010


Então, com o saldo de 21,200 kg emagrecidos no fim de 2010, e com praticamente 2/3 da meta de emagrecimento já atingida, o que aprendi foi:

a) sempre dá tempo de cuspir:

Eu percebi que mãe vive de restos. Eu, pelo o menos, vivo vivia catando o que a Gui deixava pra trás: bolachas, chocolates, toddynhos, metadinhas de bolos. Não me pergunte a quem a Gui puxou, mas ela vive praticamente de prana no que diz respeito a porcarias. Modos que ela até começa a comer, mas não termina.

Então, dia desses, no começo do VP, eu tava no parquinho com a Gui e levei Toddynho. Ela pediu, dei, ela tomou metade. Fiquei com aquele troço na mão, e acabei tomando o resto. Logo mais, ela pediu de novo, abri o outro Toddynho, ela tomou dois goles e eu arrematei o resto.

Fiz isso e achei que tava tomando sei lá, 4 pontos. Daí, à noite, peguei a calculadora de pontos e somei: cada um dos potinhos tem 4 pontos. Isso quer dizer que, de bobeira, tomei 8 FÓQUIM PONTOS de toddynho, e eu nem queria tomar toddynho!!!!!!!!

Dias depois, a Gui tinha pedido um pirulito, desistiu no meio do caminho (como de hábito, aliás), eu peguei aquela coisa cheirosa e simplesmente enfiei na minha boca e mordi. Quando percebi o que tinha feito, o tamanho da imensa bobagem do que tinha feito, saí correndo e cuspi no lixinho da pia.

Modos que veja, sempre dá tempo de reverter a bobagem.

Não evoluindo pra bulimia, que isso ninguém quer, não é porque já está na boca que a gente precisa finalizar o ato. Tá ruim, não presta, se arrependeu? Ainda dá tempo, cospe, nega, coooospe.

b) quando for ao buffet, sempre fazer a volta olímpica:

Sempre devo lembrar de dar uma boa olhada no buffet antes de me servir. Isso evita pratos com combinações ridículas, tipos arroz e feijão com strogonoff  e peixe.

c) o segundo pedaço tem exatamente o mesmo gosto do primeiro. E às vezes, nem gosto tem:

A comida precisa ser saboreada. Se eu comer bem direitinho o primeiro pedaço, usufruindo bem dele, será suficiente e satisfatório. Reparando bem, o primeiro pedaço sacia a fome, o segundo pedaço sacia a gula e aumenta a pança. E o segundo pedaço normalmente não tem nem gosto.

d) devo começar pelo que eu gosto:

Não preciso começar pela salada. Se tem alguma coisa naquela refeição que quero muito, mas muito mesmo (tipos a mandioquinha frita que me tira do sério), eu posso e devo começar por ela. Senão, eu como a salada pensando na mandioquinha, não sinto o sabor da salada, e empurro tudo porque devo ser uma boa menina, e depois como a mandioquinha porque queria. No fim das contas, acabo comendo mais do que queria, porque eu não queria comer toda a salada ou o resto do que tinha.

Então, se tem alguma comida especialmente especial naquele dia, eu devo montar o prato bonitinho, mas devo começar comendo essa comida especial. Assim, acalmada a ogra interior, eu posso comer a salada e o resto da refeição em paz, até o quanto eu quiser, dentro dos limites das porções, sem empurração.

e) o lixo não é mais importante do que eu:

Não é porque está no prato que precisa ser comido. Primeiro, porque estou me servindo de acordo com o que já sei que acho que vou comer, dentro das minhas porções. Dessa forma, se eu desisti de comer no meio do caminho, é por um bom motivo – eu fiquei saciada antes, a comida não está tão boa, eu descurti.

Se eu não quero mais, vai ficar no prato. Não preciso ter pena da comida, e a fome do mundo não é culpa minha. Não vou solucionar a fome da Etiópia ou das criancinhas desassistidas dos orfanatos se terminar aquele prato contra a minha vontade.

f) descobrir meios de tornar minha vida mais ativa:

Lavar a louça me emagrece. Brincar com a Gui me emagrece. Ir a pé ao mercado me emagrece. Voltar a pé pra casa me emagrece. Ser feliz me emagrece. Varrer a casa me emagrece. Levantar pra abaixar o volume da tv me emagrece. Arrancar os matinhos da horta me emagrece. Rebolar no banho me emagrece. Cozinhar me emagrece. O que mais me emagrece?

g) aceitar o corpo que eu tenho e lidar a partir daí:

Meu corpo é só meu. É com ele que vou até o fim da minha vida, gostando ou não. Modos que é melhor deixar de mimimi, e parar de implicar gratuitamente com o que eu tenho.

Foi com esse pensamento que comecei a emagrecer. Era aquele corpo que eu tinha – imenso e disforme – mas era meu corpo. Era com ele que eu tinha parido a criança mais maravilhosa e especial do mundo, era com ele que eu me movimentava, era ele que me proporcionava todas as sensações, era com ele que eu gozava, era com ele que eu vivia aqui nessa terra e com o qual iria até o fim. Era melhor eu tratar dele com carinho e respeito. Foi o que comecei a fazer – comecei pelas pontas, cuidando das unhas, dos cabelos, passando creminhos, usando roupas confortáveis e dignas, cuidando do que entrava nele. O emagrecimento foi gradual, mas foi efetivo – 21,200 kg depois, aqui estou eu.

Se eu parasse de emagrecer hoje, exatamente agora, com o peso que estou, eu seria feliz? A resposta é sim, sem dúvida. Apesar de saber do meu potencial magrístico, eu seria feliz sim, feliz e satisfeita – a maioria das minhas roupas me cabem, eu me sinto bem, eu ando bem, não incho, me sinto elegante, meus sapatos estão folgados (das roupas eu nem falo). Não sou mais obesa mórbida, e isso é tudo de bom, eu respiro, meu joelho não dói, minhas costas não doem. Eu tenho uma vida com dignidade.

E meu corpo é esse – com as estrias da gravidez, com os peitos que não estão assiiim, uma Brastemp, mas é o meu corpo, que é capaz de coisas incríveis, como gerar uma vida, me fazer feliz, me dar sensações maravilhosas, me deslocar no mundo, produzir coisas.

E meu corpo será, sempre, bem tratado e respeitado – nada mais de ruim entrará nele, seja comida, seja energia, seja o que for.

h) nunca me esquecerei que fui gorda, e nunca mais serei gorda – é minha promessa de Scarlett O´Hara:

Já emagreci várias vezes, já engordei outras tantas. Mas essa é definitiva, é pra ganhar o boletim de sócia vitalícia do VP (minha meta pra 2011). Engordar outra vez, só se for pra ter o segundo filho, e com acompanhamento do VP direto, que não arrisco mais.

Mas já tinha dito, como tantas vezes, que nunca mais outra vez. Dessa vez, por que seria diferente? Porque estou com Ganesh, porque o mantra de Ganesh é meu ruído de fundo nessa vida, porque estou montada no pescoço desse grande elefante e com sua tromba imensa estou derrubando cada uma das paredes, e pavimentando o chão do meu novo peso.

Me vejo tomando banho com a água da tromba, me vejo com jóias e com minha roupa-meta, me vejo pronta e magra e linda, pra sempre. E me sinto com o poder, eu sei que tenho esse poder, ele está comigo e é meu, eu que determino as minhas escolhas, ninguém mais. Sou eu que ponho a comida no meu prato, sou eu que a levo à minha boca, sou eu quem faço as minhas escolhas. Todo o culpado é um também um agente – se a culpa é minha, a resolução do problema é minha também, então eu posso agir e fazer do meu jeito. E em mim, no meu corpo, mando eu.

Minha âncora é o mantra – Ohm Gham Ganapataiê Namaha -, é o grande elefante (um dia eu conto como a imagem de Ganesh se revelou pra mim), é o que me segura e me dá rumo, é o que me puxa. É Ganesh que está tatuado no meu braço esquerdo, pra nunca mais esquecer que fui daquele tamanho todo, pra nunca mais cair na tentação de me largar e me abandonar num canto, pra olhar pra ele sempre que me sentir fraca, pra agradecer sempre que me sentir vitoriosa, pra nunca mais me perder de mim mesma.

No amigo secreto da Firrrma, percebi que entreguei o presente pro meu amigo (pessoa, aliás, que adoro de monte) e saí fugida, sem esperar a foto.

Procurando fotos minhas com a Gui dos últimos dois anos, achei somente umas quatro, sem contar as da viagem pro Rio.

Fotos minhas, sozinha, esqueça, non eczistem.

Passei tanto tempo fugindo de fotos, por me achar horrorosa nelas naquele peso obesa plus, que preciso me acostumar com a nova realidade.

Modos que, na lista de metas pra 2011 – tirar mais fotos de mim mesma.

Acabei de pegar 3 camisas de uniforme tamanho M no almoxarifado.

Modos que, ou eu emagreço mais um pouco, ou fico sem roupa pra trabalhar.

*

UPDATE – As camisas couberam!!! E com dignidade! Eu respiro dentro delas! Eu posso sentar e andar e comer e me movimentar com elas!!!

Nem acredito! Caminhei do EG 1 (que é um número acima do EG) para o M !!!!!

*

E na pesagem de ontem, 300g a menos, totalizando 21,100 emagrecidos!

E na pesagem de segunda, dia 06 de dezembro, 900g a menos, totalizando 20,800 kg emagrecidos.

Geeentem, eu emagreci mais que um galão de água!

Na pesagem de hoje, menos 300 g, totalizando 19,900 kg emagrecidos.

Juro que quase tirei a saia pra arredondar 20 quilos :)

Menos 500 gramas, ou menos um pote grande de Qualy, ou menos duas barras e meia de manteiga.

Total até agora: 19 kg 600 g emagrecidos.

 

É impressionante o que 19 quilos a menos fazem com o rosto de uma pessoa, não é mesmo, minha gente?

em julho/2009

 

em setembro/2010

 E calças que passaram do 46 pro 40, e IMC que passou de obesidade II pra sobrepeso.

Às vezes nem eu acredito. Om Gam Ganapatayê Namaha.

Depois de exatamente seis semanas tendo aumentado um quilo e com o peso estacionado desde então, finalmente emagreci 1,300 kg.

Ufa. Acho que desplatozei.

Minha ergométrica foi pro pau, tá mole demais, barulhenta demais, inviável pra render exercício que preste às 5h40min da manhã.

De modos que pra tudo dá-se jeito.

Tou pegando carona pra casa, descendo uns 6 km antes, e voltando a pé. Levo o tênis comigo, troco o salto 11 pelo tênis no carro, abstraio o visual pheeno que fica, e ganho quase uma hora de caminhada.

E agora tou aproveitando pra acordar esse tempo mais cedo pra meditar. Olha que lindo, praticamente a Tieta do agreste, que venha essa nova mulher de dentro de mim.

E hoje comprei 150g de chá verde. Alguma coisa vai dar certo.

Uma das coisas mais legais do meu processo de emagrecimento é saber que não estou sozinha.

Maguido, primeiro e único, tá do meu lado, firme e forte, e cada vez mais fino e lindo, e isso é fundamental. Saber que tamojuntoemisturado faz toda a diferença.

Outra coisa legal são as meninas, e a troca imensa e profunda que temos. Compartilho com a Nalu a idéia da não-dieta, sobre a qual vou falar melhor depois, outra hora que esteja mais inspirada.

E agora, a gratíssima surpresa. Descobri hoje que a Rose, queridíssima linda e amada do antigo LV do mothern tá conseguindo, apenas com reeducação alimentar, emagrecer lindamente – ó ela aqui com 24 quilos a menos!

Dá, né?

Nalu, amor, eu tinha contado o saldo aqui ontem, mas acho que com as novidades do Bento a coisa se perdeu :)

Na verdade, eu ainda não tou realizando, sabe? Tipos, 19,100 kg é o tipo de coisa que só acontece com os outros, saca? Nunca que aconteceria comigo. E quando penso na meta total, que vai dar facilmente uns 34 quilos, dá um espanto do tamanho do mundo, uma coisa do tipo, como cheguei nesse ponto? Como permiti isso comigo mesma?
Como permitiram isso, como ninguém fez nada pra me impedir?

Eu só percebo o quanto eu tava grande com a folga das roupas, com o relógio caindo, com o anel que sai voando, esse tipo de coisa. E com a cara de incredulidade das pessoas, porque ninguém acredita que é sem boleta.

Não sei, na realidade, de onde exatamente vem a força. Acho que vem da raiva, que resolvi canalizar pra um objetivo claro, ao invés de pra mim mesma e pra me agredir. E é aquilo que falamos, né, amor? Sobre todo o culpado ser um agente.

Outra coisa que fiz foi fracionar a meta.
Nunca penso na meta como um todo – eu comemoro a conquista como um todo, mas nunca encaro a semana como um todo, como se fosse essa a semana que vai determinar o sucesso ou o fracasso de tudo, não sei se deu pra entender.
Eu comemoro a conquista, nem que sejam 100 gramas, e somo ela na perda total, e solto fogos a cada vez que consigo perder. Converto tudo em potinhos de margarina pra conseguir visualizar e valorizar o emagrecimento, por menor que seja.
E se eu engordo, me perdôo, penso que a semana que eu engordei já acabou, graças a Ganesh, e começo a semana de novo.

Eu tenho o objetivo lá na frente, pra não me esquecer dele, mas a meta é um dia de cada vez, tipo AA.
Só hoje vou me respeitar, só hoje vou comer o melhor que eu puder, só hoje vou contar os pontos, só hoje vou comer a salada, só hoje não vou enfiar o pé na jaca. E se eu enfiar o pé na jaca, eu somo nos pontos flex, eu assumo a jaqueada mesmo, nem que eu estoure todos os pontos flex.
Eu fiquei exigente, só como o que realmente tá gostoso, não gasto ponto bom com comida ruim, não engulo sem mastigar, eu saboreio a comida, eu sempre, SEMPRE corto o pão em pelo o menos dois pedaços, corto tudo em pedaços pequenos, deixo o chocolate derreter na boca, só compro fruta em lugar bom (nem que saia mais caro), anoto rigorosamente todos os pontos, não falto a nenhuma reunião por nada nesse mundo, ando sempre que posso pra tudo o que é lugar.
Há semanas boas e semanas ruins, há dias bons e dias ruins, mas no todo, o saldo tem sido positivo.

Mas eu nem penso na força, Nalu, eu penso no respeito. Nunca me respeitei tanto, nunca me tratei com tanta deferência. Eu não busco força em mim, eu busco sempre respeito e consideração por mim mesma. E isso é o mais lindo, isso é o que realmente me emociona no processo.

Outra coisa que tenho feito é meditar com o OM GAM GANAPATAIÊ NAMAHA. Me imagino em cima de Ganesh, pisando em cima dos quilos que quero emagrecer, deixando eles pra trás, destruídos, indo em direção aos 57 quilos. Medito todas as 108 vezes necessárias do mantra. Não tem dado pra fazer todos os dias, mas sempre que dá, tou eu lá, murmurando o mantra no ônibus mesmo, alôka de Ganesh.

Ficou quase um testemunho de jeová, né? Mas sei lá, precisava falar.

Tati

E hoje somei 19,100 kg emagrecidos. Ai, foi lindo :)

E Maguido somou 14,900 kg eliminados.

De modos que, juntos, somamos 34 quilos, o que dá mais que duas Guis somadas. Estávamos querendo comprar um colchão king size, mas não precisa mais :)

Pena que não tem pesagem no VP às 7 da manhã, néam? Na variação de peso do dia, no fim, acumulei até agora 17,900 kg elimidados (continua sendo bom pra cacete, mas enfim, fica pra próxima semana a oficialização dos 18 quilos emagrecidos).

O lindo é que deu 1 quilo a menos, e continuo impressionada com o resultado. Quatro dias de exercícios, e cacilda, quanta diferença. Com 9 quilos a menos, eu fico oficialmente magra, e se continuar nesse embalão, vai ser LINDO.

Desde que comecei o processo de emagrecimento, faltava uma coisa: pegar firme na parte de exercícios.

Porque não adianta, né. No começo, até dá pra ir só no controle alimentar, mas chega uma hora que, ou a gente começa a suar de verdade, ou o emagrecimento vai no ritmo de 200g, 100g por semana. E eu não tenho mais tempo pra ser infeliz e viver frustrada.

Modos que resolvi encarar. A bicicleta ergométrica eu já tinha, e já tinha tomado a providência de trazer pra cá. Fazia exercícios nela vez ou outra, mas nada assim, comprometido, porque tou cansada, tou sem tempo, quero brincar com a Gui, preciso fazer a unha, preciso fazer a janta, tenho louça pra lavar, tou com muito sono, minha perna tá doendo, hoje tou com dor de cabeça, amanhã tenho que levantar cedo, ontem eu já andei duas horas e meia, amanhã vou passear com a Gui e já vai valer como exercício, insira aqui sua desculpa do dia que lhe parecer mais conveniente.

Daí, em outro contexto, Maguido disse que ”os sonhos estão na milha extra, e não no que você faz no dia a dia”. E, puerra, isso além de ter sido um wake up call pra tudo, fez cair várias fichas, dentre elas essa, do quanto eu quero isso (e do quanto eu quero outras coisas na minha vida), do quanto eu quero meu conjunto rosa cabendo novamente. E eu quero MUITO, essa é a resposta.

E desde o dia 01/09 que fixei que agora, 4 vezes por semana, no mínimo, ela será usada por 45 minutos. E se eu não tenho o tempo, eu faço o tempo.

Não vou dizer que é fácil levantar às 5h45min da manhã durante a semana, tendo que trabalhar o dia todo, porque não é, cacilda, não é meeesmo.

Mas a sensação de vitória pessoal, de vitória sobre mim mesma, sobre as trevas, sobre a minha versão gorda da cama, sobre a maldição, e o prêmio da endorfina jorrando (eu sinto e-xa-ta-men-te o momento em que meu organismo muda o tipo de combustível usado, e o preciso instante em que a endorfina começa a jorrar, diliçaaaa), compensa tudo.

Me pesei hoje, e o resultado da semana foi de 2,100 kg a menos. Vou ver à noite, na reunião dos Vigilantes, mas só nessa pesagem da manhã, já somei 18kg600g emagrecidos. Isso são mais que 37 potões de margarina Qualy, visualiza.

Modos que perdi um excelente cabide, mas a ergométrica voltou a sua função.

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