Faz tempo que não conto aqui, né? Cada dia tem uma, uma melhor do que a outra.

Ela tá imensa, enorme, crescida, sabiiiida, um espanto.

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Fazendo canjinha comigo: “Mamãe, você tá colocando esse caldinho pra dar um sabor mais requintado, né?”

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Provando a comida outro dia: “mmm, mas ficou delicioso, está com um sabor exótico!”

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Fazendo sopa de legumes comigo, vendo eu cortando as coisas:
- “Você vai cortar em pedaços gigantescos ou pequenescos?
E eu, entrando na dela: - “Acho que vou cortar em pedaços mediescos, filha”.
E ela, com voz condescendente, me corrigindo: – “É em pedaços méeedios que você vai cortar, né, mamãe?”

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E provando o melhor doce de leite do universo conhecido – o Conaprole, benzadeus – que é feito no Uruguai: “ainda bem que existe o Uruguai, né, mamãe? O Uruguai deve ser um lugar muito legal!”.

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Gripadinha, no meio da noite, acorda chorando: “eu não tou conseguindo dormir, meus olhinhos não estão mais flutuando…”

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Ela começou a ir pra escolinha, e lá tem um laboratório. Na semana passada eles estudaram uma ratazana – o melhor foi ela descrevendo: “A ratazana tava assim ó  (e espremia os olhinhos e os bracinhos e meio que se encolhia) dentro de um pote de vidro com água de azeitona!”. Fenomenal o jeito de descrever coisas em conserva.

Daí ontem eles foram estudar um sapo, que também tava dentro de um vidro com água de azeitona. E começou a contar tudo o que aprendeu sobre sapos, e começou a pular pela casa imitando o bicho, e depois pergunta: ” e aí, mamãe, gostou da minha sapeza?”

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Na sexta passada, voltou da escolinha me trazendo biscoitos que assaram na aula de culinária, junto com um par de pantufinhas, e com um livrinho desenhado por ela contando a história dela na minha barriga. Quase infartei.

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Tão grande, tão crescida, com o sovaquinho encostando na parte de cima da mesa, alcançando praticamente tudo na casa, falando e entendendo tudo, lendo e escrevendo, acompanhando legenda de filmes, dominando o computador. Mas ao mesmo tempo tão pequenininha, cabendo tão certinho no meu colinho encaixadinha no meio das minhas pernas pra tomar nescau.  Aliás, uma das melhores coisas que fiz foi essa, acostumar ela a ficar no meio das minhas pernas, porque é garantia de caber no colo pra sempre.

É tanto amor, mas tanto amor, que nem sei. E o melhor de tudo, mas o melhor mesmo, é saber que amanhã vou amar mais do que hoje.