Uma coisa que mais me atraiu pro blog das Mothern foi a proposta do mantra “Culpa não”. Elas realmente tentam viver a vida sem culpas, na medida do possível. Elas praticamente consolidaram na mídia um estilo de vida adorável, que realmente serve de referencial. Quando engravidei, quis ser bem assim, resolvida e focada.
Pois eu descobri que não consigo. Mesmo.
Não consigo ficar feliz e não consigo separar totalmente a maternidade de todos os meus outros papéis. Ao invés de ser uma das prateleiras no meu armário, a maternidade, pra mim, tá mais pra uma toalha que cobre toda a cômoda. Minha vida é regida pelo tempo que tenho pra Gui, e em como vou fazer pra otimizar esse tempo.
E isso porque, pra mim, aproveitar a infância da minha filha e as deliciosas pequenas coisas do dia a dia são sim fundamentais pra mim.
Não tenho coragem, por exemplo, de ir ao salão ou à academia ou onde quer que seja em horário que deveria estar com ela. Até hoje não consegui dormir uma noite sem ela ressonando no quarto ao lado. Não consigo sair de casa sem vê-la, não aceito chegar em casa e ela já estar dormindo.
Admiro profundamente quem consegue tudo isso, mas por favor, não me venha com discurso motivacional. Não consigo, pronto, essa sou eu, canceriana doente. E pior, não quero mudar não.
Modos que resolvi assumir e incorporar o meu mantra pessoal: NÃO SOU OBRIGADA.
Decidi que não sou obrigada a ser a perfeição da mãe desencanada e resolvi assumir que sim, tenho culpa sim. Me rôo de culpa quando saio de casa e a Gui pede pra eu ir passear com ela. Não sei ser firme e forte toda a vida – embora eu procure sempre manter a coerência e a constância de comportamento quando me relaciono com a Gui, tem dias que não dá.
Não sou obrigada a ser constante e perfeita. Não sou obrigada a seguir todas as regras sempre e cegamente. Não sou obrigada a me sentir bem e como se estivesse vestindo uma calcinha que acabou de sair da gaveta quando chego tarde em casa e só tenho mais 40 minutos de tempo útil com a Gui. Não sou obrigada a não sentir ciúme das outras pessoas que passam mais tempo com ela do que eu. Não sou obrigada a estar linda, loira, esmaltada, depilada e escovada, se pra isso vou perder uma manhã inteira de sábado. Não sou obrigada a lidar bem com isso.
Como ontem, por exemplo. Nove da noite, e ela não queria dormir no berço, mas sim qué ficá na sala com a mamãe, e gritava meu nome lá do quarto. Capitulei. Modos que ficamos juntas, abraçadinhas e gateando e se cheirando, vendo desenho na sala. Porque né, não sou obrigada.
Agosto 21, 2008 at 1:38 pm
Ah, querida, mas não é obrigada MESMO! A única obrigação, no caso, é ser feliz. E curtir muuito, mas muuito mesmo cada segundinho desse tempo, tentando, inclusive, segurar esse tempo entre os dedos.
Super te entendo e concordo muito.
Amei o post (aliás, ameis os posts).
Beijo.
Agosto 21, 2008 at 4:54 pm
com toda certeza não é obrigada , tô nomesmo dilema especialmente pq todos dizem que devo , ou me perguntam qdo vou voltar a trabalhar e sinceramente não tõ afim , quero ficar com meus pimpolhos , levar na escola, buscar , ficar rolando na cama , fazer lição junto…
bj
Agosto 21, 2008 at 8:25 pm
Como é que pode né? Naonde é que o povo todo acha que pode decidir o que o o OUTRO deve achar, o que o OUTRO deve sentir e como deve agir? afffff… cê tá certíssima!
beijos
Agosto 22, 2008 at 8:20 am
Oie… Obrigada pelo “doce”…
Adoooorrrrooo seu blog… Tô mesmo esperando a s fotinhas… depois c quiser saber quem sou… te passo uma fotinha minha… apenas prá constar mesmo! Afinal… eu acho q já te conheço!!! hauhaua
Bjokas e td de bom prá vc e prá Gui…
Ps: decidiu o nominha da “ôta barriga” ???
Agosto 22, 2008 at 8:39 am
Primeiro de tudo… POSSO COPIAR SEU POST??????
Sério, é tudo que eu sou e penso e nunca tive coragem de dizer. Te adoro muito mesmo viu, obrigada por me fazer perceber que NÃO SOU OBRIGADA e que me sinto culpada sim!
Segundo… cadê as fotos da festinha e da Gui fofa hein??? rsrs
beijos, te adoro,
Rê
Agosto 22, 2008 at 9:56 am
Na verdade Tati quando a gente faz o que se quer e não oq eu os outros acham que a gente deve fazer, eu acho que estamos agindo sem culpa. Se eu prefiro ficar em casa cuidando do filhote ao invés de ir para academia e pro salão e me sinto bem assim, não há cupa, há realização e felicidade e pelos teus posts é isso que passas quando estás com a Gui, “Modos que” o importante é ser feliz né !
Bjs saudosos
Agosto 22, 2008 at 12:59 pm
menina… vc tá certissima… faça tudo que vc acha que deve fazer com a filha…
passa tão rapido, né??
Agosto 22, 2008 at 5:15 pm
Tati, adorei o post! Acho que o importante é reconhecer o que dá prazer para a gente e pronto. Eu, ao contrário, vou ao salão numa boa, viajo sem eles, durmo sem eles e não sinto culpa nenhuma. Acho que a culpa ocorre exatamente quando a gente é obrigada. De um lado ou do outro…Bjão
Agosto 22, 2008 at 6:19 pm
Aplausos, minha musa mega-inteligente e perolada! Quero a ficha 2, porque também sinto culpa. Mas descobri que me sinto infinitamente melhor fazendo do jeito que EU quero fazer e não do modo que me dizem que deveria ser feito. Eu sou canceriana, mas instável. Vou ao salão muito de vez em quando, só se estou a fim. Detesto sair sem meus filhos! E à medida de que faço o que quero, por prazer e não por obrigação, a culpa vai tomando proporções cada vez menores. Um beijão do tamanho do universo pra ti!
Agosto 22, 2008 at 7:19 pm
Ei, Tati!
Por incrível que pareça, eu estava conversando sobre um dilema como esses com algumas colegas. No caso, o objeto da discussão era outro, bem diferente desse: era envelhecer. E a discussão era: aceitar ou não as “marcas da vida”? Plásticas, liftings e preenchimentos são pra todo mundo? (…) A minha opinião é de que as coisas existem por um motivo, e sou super a favor da liberdade de escolha de cada um. Acredito que estar bem e ser feliz tem muito mais a ver com o que vc quer para si do que com o dizem que vc deve querer. E aí eu penso mesmo com a Dê: a culpa (ou mal estar) vem quando aceitamos goela abaixo um padrão ou um “ideal” de vida fabricado.
E, inclusive no meio das Motherns, eu vejo muitas que sofrem muito mais ao abraçar o “Culpa não” do que se aceitassem e assumissem a culpa de fato, apesar de haverem culpas e culpas… assunto pra outro comentário, hahahahaha.
Beijos, lindona.
Agosto 22, 2008 at 10:53 pm
Está certíssima!! Não é obrigada mesmo a fazer o que os outros acham que é o melhor para vc e sua vida! Faça o que VC acha melhor e seja mto FELIZ! Amei seu post, ele diz tudo o que gostaríamos de falar! Bjos!
Agosto 24, 2008 at 12:57 am
Uia, me vi no post. Porque a primeira coisa que me passa na cabeça quando a aula da noite não acontece por algum motivo é “correr rápido pra casa, dá pra colocar o Alê na cama, dane-se banho”, ou quando é sábado cedo “sábado, oba, dia de brincar sem pensar em mais nada”. E então vou levando a vida com os cabelos brancos, as unhas medonhas, os pneus firmões na cintura, a bunda de metro. Porque meu filho miudinho assim não vou ter de novo.
Parabéns pra Gui e beijo nas 2!
Agosto 25, 2008 at 9:32 am
tati, é que há uma diferença imensa entre deixar a criança ir prá sala e ficar mumunhando, beijocando, contando historinha e deixar a criança ir prá sala ficar largada no sofá vendo novela das oito. há um universo de diferença. beijocas na gui!
Agosto 25, 2008 at 10:18 am
Ô, querida!
E você está coberta de razão!
Eu também tenho minhas cosicas que ninguém no mundo, livro ou psicólogo irão me convencer do contrário e, continuo me guiando por elas, porque sinto e sei que são o certo para nós…]
Ou seja, vive la diferènce!
Beijos
Agosto 25, 2008 at 1:59 pm
Tati, adorei o post, óbvio!!
Mas sabe que eu sempre digo que sou uma mãe “desculpada”. Não sinto culpa quando tenho que sair e deixar a Mariana, eu simplesmente não gosto de fazer isso! é diferente! amo ficar com minha filha, e nada pode ser melhor, simplesmente assim. Culpa seria se eu gostasse de fazer outras coisas, e deixasse de fazer por achar que TENHO que estar o tempo todo com ela, o que definitivamente não é o caso!!
E por todo bom senso que vc demonstrou nesse post é que a Gui é essa coisiquinha fofa e amada!!
beijos
Agosto 26, 2008 at 10:22 am
menina, me vi no teu post! Vou copiar! hehehehe
bjão e seja feliz como vc quiser!
Agosto 26, 2008 at 6:56 pm
Ai, no fundo eu acho que a maioria é assim mesmo, Tati. As descoladas é que são a exceção… Eu também não suporto pensar que estou em um engarrafamento e vou demorar mais uns minutos para vê-la. Juro que tenho vontade de ligar o pisca alerta e conectar uma sirene no carro que diz: “sai da frente, que eu tenho uma filha pequena me esperando”. Sério que eu penso isso todo dia, o tempo todo. E também fico puta porque um monte de gente fica com ela mais tempo que eu. Mor-ro de ciúme. E lembra que eu te pedi a dica do livro Nana Nenê? Pois então. Li, marido leu. Agora, pergunta se a gente conseguiu deixar de dormir com ela cafungando a gente?? Pffff. To mentalizando o início do processo já faz umas 3 semanas e me diga se eu vou ter coragem de fazer o que tá lá? Já estou quase me prometendo que no próximo filho, eu faço… hehehe
Bjos!!
Agosto 29, 2008 at 9:56 am
Fantástico, Tati. Adorei você. não há nada melhor que poder ser exatamente como a gente é. parabéns e continue assim verdadeira com você mesma. Vou indicar seu texto no meu blog. bjkas e inté!
Setembro 16, 2008 at 4:51 pm
Oi Tati,
Achei seu blog esses dias por acaso e AMEI!!
Eu também sou mãe, advogada e culpadíssima assumida. A minha acabou indo pro berçário Mas a delícia da filhota compensa cada cabelo branco não pintado!!
Vou voltar mais vezes!
Bjos!
Outubro 1, 2008 at 1:39 am
guarde tudo. anote. congele. o menino cresce. o andre, outrora pop no mondoblog, que eu abandonei, tem 10 anos, calça mais que eu há tempos e a cada dia me surpreende com sua genialidade de criança.
Dezembro 15, 2008 at 10:44 am
A única obrigação que a gente tem nessa vida é ser feliz, querida. Não somos (meeeesmo) obrigadas a seguir o exemplo de ninguém. Eu sou canceriana também, sofro pequenos ataques de culpa, mas tenho conseguido conciliar a maternidade com o “culto” ao meu eu (leia-se: academia e salão regularmente, hahahhaa). Grande beijo, Ju