Então, quando resolvemos que teríamos filhos, eu sabia que seria uma trabalheira, e que haveria decisões muito difíceis a serem tomadas. Mas algumas decisões eu não imaginava que seriam tão logo, ou, em o sendo, achava que eu iria encarar com mais naturalidade.

Pois. Esses dias tive que decidir qual o nome oficial da genitália feminina.

Vai vendo.

Sempre chamei de v*ulvinha. Odeio profundamente nomes com x, b ou que remetam a anfíbios, modos que achei que o nome “oficial”, mas no diminutivo, seria uma alternativa digna.

E foi assim que chamava com a Gui – sempre pedi licença pra ela na hora de limpá-la, sempre avisei o que tava fazendo e aonde (quero que ela cresça com a plena consciência de que o corpo é dela e tem sim que pedir pra mexer, seja no braço, seja na barriga, seja onde for). Mas acho que ela não tinha, digamos, associado o nome à pessoa.

Esses dias, no banho, ela tava falando:
- bacinho, ôto baço, péininha, ôta péina, barriga, ôta barriga.

E foi quando a Má me ligou, pra avisar que precisaríamos decidir o nome oficial quando eu chegasse em casa. Imagina falar sobre esse assunto no telefone do escritório, hohoho.

Ninguém disse que ia ser fácil.