Setembro 2007
Arquivo mensal
Setembro 26, 2007
Bão, tem um programa na Sony chamado America’s Next Top Model, apresentado pela Tyra. Maguido diz que a Tyra é o nome do prêmio pra mulher louca. Ou melhor, mulé lôca, que só assim pra dar o impacto. A Tyra é sem noção total, ela tem certeza que é o gás da fanta.
Mas não é esse meu ponto.
Meu ponto é que agora vai ter a versão brazuca. Eu tenho medo de versões brazucas. Começa que vai se chamar Brazil’s Next Top Model. Não parece o Mussum falando? Braziuziz? Tou vendo o Sargento Pincel na banca de jurados.
Setembro 26, 2007
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joys of motherhood [4] Comments
A Claudinha, essa pessoinha linda, é contadora de histórias. E é mãe da Sofofa (a Sofia, que é linda e é impossível de ser chamada por outro nome que não Sofofa).
A Clau contou que ficou pensando no post que escrevi, sobre a Gui ser minha Mágica de Oz. E a Sofofa, filha linda dela, nesse mesmo dia pediu pra que ela contasse a história da Ingrid – e sem conhecer ou ter ouvido falar da Gui, o que mostra que as crianças lindas desse mundo tão conectadas, hohoho.
Então, ela inventou a história da Ingrid, a Princessa Russa, e suas aventuras no Reino Bemfedido, com o Bruxo Salamaleque. A história tem três partes: aqui (primeira), aqui (segunda) e aqui (última).
Não é linda?
Setembro 26, 2007
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comidinhas [21] Comments
Eu gosto muito de receitas fáceis mas que, quando prontas, parecem que foram super difíceis e trabalhosas. Essa receita é uma delas.
Também adoro receitas que envolvem frutas. Essa também é uma delas.
Vou explicar passo a passo, bem detalhadinha, que é pra você não errar em nada e fazer fino, mesmo sem experiência na cozinha. Já passei essa receita pra algumas pessoas e todas que fizeram tiveram sucesso, né DaniLondon? Né Dani? A Ale, minha irmã linda, ainda fez algumas modificações na versão dela.
E só porque sou legal, tirei fotos do passo a passo, pra você não ter desculpa pra não tentar. Mas não fique mal acostumada, que não é sempre que vou conseguir tirar fotos assim.
Na receita original, uma das sugestões é usar pêssegos ou bananas no lugar das maçãs. Nunca fiz com pêssegos. Se fizer com bananas, somente use as mega maduras, senão fica horrível. Minha irmã fala que é banana em ponto de mosquinha, só use dessas. Fiz uma vez com bananas no ponto (ao invés de bem maduras) e ficou muito ruim, amarga e nhecosa.
A torta é em quatro camadas, de baixo pra cima: farofa, maçãs, creme e farofa.
E, quando assa, deixa um cheiro delicioso pela casa, então feche as janelas e abra as portas dos cômodos, pra aproveitar melhor, hohoho.
Comece pelo creme, porque ele precisa estar frio antes de montar a torta pra assar.
Pro creme, você vai precisar do seguinte:
- 1 lata de leite condensado
- 1 medida de lata de leite de vaca
- 1 lata de creme de leite
- 1 colher de sopa de farinha de trigo
- 1 colher de sopa de manteiga
- 2 gemas
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1 colher de chá de gengibre em pó (como eu já disse, uso pra tudo, em tudo, sempre)
Bata tudo no liquidificador e coloque numa panela de fundo grosso. Prefiro panelas maiores pra isso. Leve ao fogo médio, mexendo sempre, até engrossar e começar a ferver. Retire do fogo e deixe esfriar. Quando tou com pressa, taco no freezer, com panela e tudo, pra esfriar logo, mas não sei se deveria estar dizendo isso assim, em público. Fica entre nós.

Reserve o creme. Tenho especial predileção por receitas que me peçam pra reservar algo, acho super digno (a Dani também acha isso).
Enquanto o creme esfria, corte as maçãs.
Você vai precisar de 4 a 5 maçãs ácidas – aqui no sul tem uma maçã tipo Fuji, perfeita pra isso. Eu sei que em Manaus não existe essa maçã, então dá pra usar maçãs verdes. Se não achar maçãs ácidas, paciência, mas não fica tão perfeito.
As maçãs precisam ser descascadas e fatiadas, e pra isso tenho uma técnica, melhor explicada com fotos. Eu corto de cima pra baixo, com casca e tudo, e depois corto de novo, no mesmo sentido. Retiro as sementes e descasco, fatiando em seguida.





Reserve as maçãs (uia, que lindo!) e vamos pra farofa.
Pra farofa, você vai precisar do seguinte:
- 3 xícaras de farinha de trigo;
- ½ xícara de açúcar;
- 100g de margarina gelada (eu gosto de usar as especiais para culinária. Com manteiga fica infinitamente mais gostoso, mas é mais difícil de trabalhar)
- 1 ovo
- 1 colher de chá de cravos da índia moídos
- 1 colher de chá de canela em pó
- 1 colher de chá de noz moscada
- 1 colher de sopa de fermento em pó químico
Comece ligando o forno pra pré-aquecer.
O forno precisa ser médio-alto, e isso varia de forno pra forno. No meu, coloco em 260º, mas a temperatura real é menor que essa da graduação.
Em seguida, moa o cravo. Eu faço assim: pego cerca de 12 cravos da índia e coloco num saquinho de freezer. Enrolo e viro do avesso, enrolando de novo e virando do avesso, até acabar o saquinho e fazer uma bolinha. Maceto com um moedor de carne, na parte firme da mesa. Tirei fotos, que acho que pode ajudar. Se você colocar no saquinho sem enrolar e macetar direto, o saquinho fura e espalha tudo. Se você descobrir uma técnica melhor que essa, me avisa.







Quebre o ovo num copinho e bata bem com um garfo. Reserve (luxo, de novo).
Peneire a farinha, o açúcar e o fermento numa bacia lisa. Junte os cravos, a canela e a noz moscada – opte por ralar a noz na hora, porque o perfume e o sabor são maravilhosos. E a foto é só pra exibir o raladorzinho que ganhei da Vane no meu chá de panela, que é fofíssimo.

Misture os ingredientes com uma colher seca, pra ficar bem uniforme. Junte a margarina e vá esfregando entre seus dedos junto com a farinha, fazendo a farofa. Use somente a ponta dos dedos. E não amoleça a margarina antes, que o resultado final fica pavoroso e gordurento, ao invés de flocoso e firme.


Depois que você tiver obtido pedaços do tamanho de o dobro de uma azeitona, junte o ovo batido, e continue esfregando tudo entre os dedos. Facilita sua vida se você usar só uma mão, e uma colher na outra pra ir desgrudando a massa dos dedos. A farofa não precisa ficar uniforme, os pedaços podem ser irregulares, mas procure trabalhar toda a farinha.


Então, vamos pra montagem. Essa torta não desenforma, então eu gosto de usar uma forma de fundo removível, com 26cm de diâmetro e 4,5cm de altura, porque fica lindo na hora de servir.
Se você não tiver uma dessas, pode ser uma forma média. Já fiz em uma forma de vidro tipo marinex, oval, e ficou lindo. Nesse caso, escolha uma forma bonitinha e mande bala.
Não precisa untar, mas eu gosto de colocar a forma em cima de outra de pizza, pra proteger de eventuais escapes do creme e pra não me queimar na hora de tirar do forno.
Pra montar, coloque metade da farofa. Por cima, coloque uma camada uniforme de maçãs, e com os pedaços que sobrarem, tape eventuais buraquinhos e espalhe pra ficar mais ou menos homogêneo. Por cima disso, coloque o creme e, por fim, coloque a outra metade da farofa.





Leve ao forno por pelo o menos 35 minutos. Ao fim desse tempo, a superfície deve estar com uma cor douradinha, alguns pedacinhos da farofa mais escuros que outros. Se precisar, deixe mais um pouco. É possível que o creme se infiltre entre a farofa de cima e comece a ferver, não tem problema nenhum.
Retire do forno e deixe esfriar completamente antes de desenformar. Se você desenformar sem estar gelada, vai desmontar – acredite em mim, anos de experiência nessa torta me ensinaram a controlar a gula ou optar por uma forma de vidro, pra poder comer ainda morna.Particularmente, prefiro essa torta geladíssima. Mas fica maravilhosa morna, com sorvete de creme. Quando a torta ainda tá muito quente, fica meio enjoativa. E sim, eu provei de tudo que é jeito.


Faça e me conte.
Setembro 26, 2007
Criar filhos é bem mais divertido com o precioso auxílio da Discovery Kids .
Não que não haja coisas legais no resto do mundo televisivo – Cocoricó aqui em casa é um hit parade sem precedentes, temos que colocar com parcimônia senão nem tem diálogo, que a Gui fica hipnotizada. O Hélio Ziskind tá nas minhas orações pra sempre, o cara é um gênio. E Mansão Foster, que temos que ver com parcimônia pelo mesmo motivo, mas dessa vez é COMIGO, que não desgrudo o olho. Eu amo o Bloo, mas teria uma Coco pra mim.
Mas o DK facilita a vida da pessoa, mesmo. As vinhetas são as preferidas da Gui, mais do que os desenhos em si. O Doki é um fofinho, super mordível e simpático – até quando faz propaganda da embalagem de leite longa vida, que é eufemisticamente chamado de “intervalo inteligente”. Mas ok, o povo precisa ganhar dinheiro, né.
O DK é pra crianças bem pequenas, acho que até uns dois ou três anos. Por conta disso, chega a ter uma preocupação pedagógica que chega a encher um pouco o saco – mas eu prefiro o excesso de zelo do que a alternativa.
Bom, a gente vê alguns desenhos junto com a Gui. E acabamos criando a lista de preferências.
O favorito absoluto é o Backyardigans. Cinco bichinhos fofinhos que brincam no quintal comum, e brincam de tudo. E cantam pra tudo também, tudo vira tema de longas canções coreografadas. Nunca mais pude assistir qualquer musical sem me lembrar deles. Uma vez eles foram pra marte, e dispararam uma musiquinha sobre o que levaram, perguntando ao final “será que levamos coisa demais?”. A lista começava com corda, lanterna, e continuava com loção pra banho, toalha… Eu rio muito. Como passa à noite, às oito, e a Gui dorme normalmente às oito e meia, ficamos abraçadinhas vendo juntas, enquanto ela vai amolecendo o corpinho. Super lindo. Meus preferidos são a Uniqua e o Austin. A Gui ainda não parece ter alguma preferência específica.
O segundo da lista é o Pocoyo. Ardido de fofo. Exala fofice. Chega a ser enjoado de tão doce. Mas é a paixão da Gui, e minha por tabela. Foi um dos primeiros desenhos da DK que me fisgaram. Na verdade, Maguido conta que a relação de amor da Gui com o Pocoyo começou nos primeiros dias de vida, quando ele me rendia pela manhã pra que eu pudesse dormir um pouco e ia com a Gui pra sala, ver Pocoyo às sete da manhã. Há laços que são cultivados desde o início, hohoho.
Lazytown. Esse é complicado. É sobre uma cidade preguiçosa, e passa lições sobre vida saudável com alimentação regrada, e sobre a necessidade de fazer exercícios. A Gui adora, especialmente quando aparece a Stephanie. Eu detesto esse desenho. O Sportacus, herói da trama, é um idiota que é incapaz de andar em linha reta. Pra tudo ele vai fazendo malabarismo. Ele anda de um ponto A ao B virando estrela. Sério que esse troço me irrita. Acaba que me identifico muito mais com o Robbie Rotten, o vilão, hohoho. Ele é bem mais legal e, na boa, os hábitos dele tão bem próximos dos meus, hohooh. O programa é bem mais palatável na tecla SAP, as músicas são bem mais suportáveis.
Wilbur é bonitinho. É uma vaquinha (ou melhor, tourinho, né, que é o Wilbur) que estimula a leitura. A musiquinha é meio despropositada, pois fala em rebolar e agitar, tudo isso pra ler um livro, mas vá. O desenho nunca mais foi o mesmo depois que Maguido descobriu que o dublador do galinho Ray é o mesmo que dubla o Shake do Aquateen (um desenho animado MUTCHOLOKO que passava no Adult Swim do Cartoon Network). Fechamos os olhos e vemos o Shake falando no lugar do Ray, então rimos muito. Tou vendo a hora que o Ray vai perguntar “E aí, Batatão?”.
Daniel e Emily. A Emily é maiúscula. São duas crianças de verdade, que saem mostrando coisas legais. A Emily, esses dias tava no Canadá, e a moça tava mostrando pra ela uma igreja de mais de 400 anos. E ela disse, espantada: “400 anos? Nossa, mas eu tenho só 6!”. Tudo de fofo. E é super espontâneo, não tem aquela cara forçada de criança apresentando programinha (ou mesmo a Shoosha apresentando whatever o que seja que ela apresenta), como a gente tá (mal) acostumado aqui no Brasil.
Um mundo bem grandão é outra coisa fofíssima. Um monte de animais que moram em uma árvore, é delicioso. E a preguiça que apresenta o programa sempre me lembra o Baco da Fal.
Charlie e Lola, a Gui aaaaama, não pode ouvir a musiquinha que vai correndo pra sala. Fofo, doce, e na boa que o Charlie tem uma paciência infinita com a Lola. Se fosse comigo e com minha irmã, já teria rolado porrada muito antes.
Tem alguns que a gente tolera.
Jakers, eu aprendi a aceitar no meu coração, mas Maguido passa a vez.
Fofópolis é mal desenhado pacas, mas é beeem bonitinho – é desenho novo, ainda tou me acostumando com ele.
Save-ums, a gente também aceita e Maguido sempre fala que parece um quadro do Whose Line is it Anyway, quando eles têm que fazer uma esquete de super heróis tentando solucionar uma crise inventada. Tipo “acabou o leite, e agora?”.
Pink Dinky Doo é bem engraçadinho – é uma menina que inventa histórias pro irmãozinho, e tem um porquinho da índia que toca uma corneta sempre que será introduzida uma palavra nova. Eu sempre lembro do porquinho quando vejo alguma palavra pretensiosa no meio de uma petição.
E tem alguns que não dá. Não suporto Clifford, não consigo. Hi5, eu também já comentei aqui, é de trincar os ovos – só consigo assistir se tá na tecla SAP, porque a dublagem é uma coisa muito fué. Maguido acha que, dos cinco, a única que tem algum futuro é a Jen, e esse futuro pode estar estreitamente relacionado com a pujante indústria do entretenimento adulto. Os demais caminham celeremente prum anonimato estrondoso. Barney, aquele dinossauro roxo é o fim da feira e adoro o fato de o horário ser incompatível com os da Gui, então ela ainda não vê e ainda não gosta. Não entendo o apelo, tudo o que é criança ama.
E claro, o merchã. Há alguns brinquedos que vêm sendo exibidos nas propagandas, que o dia das crianças tá aí. Tem uma boneca que creeps me out, chamada LINGÜINHA. Você aperta a bochecha dela e ela mostra a língua (?) e daí a criança pinga umas gotinhas (???). WTF. Não dá.
No geral, o saldo é muito positivo.
Você tem filhos? O que ele(s) gostam? E o que você particularmente odeia?
Setembro 26, 2007
Eu já tinha dito aqui sobre minha irritação profunda com o moleque sem noção que quer esvaziar os intestinos na casa do Pedrinho.
Essa propaganda dos infernos ainda passa, contrariando minhas expectativas sinceras de que não passasse de um mês. Mas esse povo pelo jeito tem dinheiro.
Reparei mais um ponto na mardita. O moleque, no começo da propaganda, tá com uma roupa. Mais tarde, já na casa do Pedrinho, tá com OUTRA roupa.
Ou seja, aquela mãe além de concordar em levar o moleque pra defecar na casa dos outros, ainda arruma o infeliz. Mesmo. Não posso com essas coisas.
Setembro 26, 2007
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pitacão 1 Comment
Ontem levei o lap pra casa, a Gui foi dormir mais cedo e Maguido ficou vendo esporte. Modos que tem um monte de post pra publicar, hohooh.
Setembro 17, 2007
Posted by Tati Perolada under
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Cada dia, sabe-se lá como, eu me vejo mais e mais apaixonada pela minha filha.
Ela é tudo de bom nessa vida, com fritas e dois ovos. É fascinante ver a personalidade dela, o jeito cool que ela tem. E o charme, né. Que isso vaza nela, pelos poros.
Uma das coisas mais legais que tou vendo com ela é que ela tem muito mais pra me ensinar do que pra aprender comigo. Que no geral a gente orienta, né, mas as grandes coisas da vida são com ela. A sinceridade, a delicadeza, a curiosidade perante o mundo, a fascinação por tudo que a rodeia, a obstinação e a coragem de se arriscar e tentar coisas novas.
Então, tive uma grande epifania: a Gui é minha Mágica de Oz.
Primeiro, porque por causa dela eu saí do meu mundinho fechado e fui pra um lugar muito lindo e brilhante e colorido. Foi numa grande tempestade, que minha gravidez não foi exatamente tranqüila, mas a chegada foi surpreendente.
Na sala de cirurgia, tudo muito intenso, que nem no meio do furacão da Dorothy. Todos muito preocupados com minha pressão, e eu absolutamente chapada, só querendo saber do meu bebê. Quando ela nasceu e ainda chorando, trouxeram ela pro meu lado e encostaram no meu rosto, meu Deus. Tudo fez sentido. Eu tenho guardada em mim a sensação molhadinha da pele dela, do cheiro de cobre que estava na sala, da montanha russa de sensações, de eu dizendo “bem vinda, minha filha” e de ela parando de chorar ao ouvir minha voz, e eu chorando loucamente por ela. Eu nasci com ela, de novo.

Quando cheguei em Oz, matei a primeira das minhas bruxas internas: a insegurança. Por mais que batessem algumas dúvidas sobre o que fazer, e dificuldades naturais do cargo, nunca tive qualquer dúvida de que eu dava conta do recado.
Claro que ajuda é bom e necessário. E aí, né, rumo à Cidade das Esmeraldas, que eu tinha que encontrar minha Mágica de Oz, que iria me ajudar nisso. A estrada é longa, pra vida toda, tem alguns pedriscos e tropeços, mas é só seguir a pavimentação de tijolos amarelos. Essa é a parte que tou achando mais complicada: não sair do rumo. A tendência de querer fugir pras laterais e me distrair no caminho é o que me pega. O bom é que a estrada é fácil de seguir. E eu tenho uma sapateira com mais de 80 pares – inclusive prateados – e Micropore pra proteger os calos.

Eu descobri no meio do processo o meu próprio Espantalho. Aquele, que queria um bom cérebro pra produzir excelentes pensamentos.
Por causa dela, leio mais ainda, me informo mais ainda. Fuço, converso, debato. Compartilho experiências, me relaciono com um monte de gente que nunca imaginaria conversar antes. Aprendi a conversar em fila de supermercado, com as pessoas da feira. Aprendi a controlar minha tendência de superproteger quem amo, e aprendi a deixar a Gui mais solta. Entendi que o grande segredo não é evitar as quedas, mas sim minimizar os danos e ensinar a levantar. Aprendi a dar a real dimensão às coisas, a confiar em mim mesma e a permitir que ela confie nela mesma. Aprendi a confiar no pai que Maguido é, e a contar com ele pro que for preciso.
Eu ganhei um cérebro que pensa mais rápido, que aproveita melhor o tempo, que resgata memórias de infância e de coisas que preciso ensinar. Um cérebro que facilita minha vida, que me faz uma profissional melhor, que desbloqueia entraves pessoais, que me ajuda a focar na estradinha amarela. Nunca trabalhar rendeu tanto, se eu já era rápida, tou mais ainda.
E também ganhei um cérebro que me deu senso prático. As coisas são mais fáceis agora, porque não me enrolo tanto pra fazê-las. E um cérebro que sim, tem bons pensamentos. A gente tem que ter fé no futuro e na humanidade, pra colocar nossos filhos aqui, né.

Encontrei, na estrada, meu próprio Homem de Lata, e ganhei um coração de verdade. Se antes eu reagia com indiferença às dores do mundo, hoje elas me atingem em cheio. Descobri em mim uma capacidade de amar, que nem sonhava que existiria e que seria possível. Cada dia eu amo mais minha filha, meu marido e minha vida.
Aprendi a ter compaixão pelas pessoas, especialmente pelas mães – as tentantes, as adotivas, as que têm filhos com dificuldades, as que são imensamente felizes, as solteiras, todas as mães do mundo. Aprendi a agradecer a felicidade diária de ter uma filha com saúde e linda e inteligente e deliciosa.
E dentro do meu coração de verdade, há respeito por ela. Um respeito profundo, pela pessoa que ela é, e pelas fases que ela passa, pelo seu próprio ritmo.
Também encontrei meu Leão, que hoje não é mais Covarde.
A Gui me deu coragem. De todos os presentes que ela me deu, a coragem foi o mais precioso. Por ela eu posso tudo, faço tudo. Mato e morro por essa menina, e eu realmente falo sério. Ela me deu força pra encarar o mundo, pra peitar quem me afronta, pra brigar pelo que mereço. Me ensinou a fincar o pé, a estabelecer limites, a não ter medo de ser quem eu sou.

Aprendi a ter coragem pra pedir ajuda – logo eu, que sempre fui tão auto-suficiente. Aprendi a ter coragem de delegar tarefas. Aprendi a ter coragem de deixar minha filha com outras pessoas. Aprendi a defender meus pontos de vista sem dó e sem medo. A Gui me ensinou a ter coragem de não deixar ela fazer o que quiser e a encarar os bicos que ela faz.

Aprendi a ser forte. Chega a ser perigoso, tanta coragem junta.
E mais ainda, aprendi que o importante é voltar pra casa. Não há lugar como o nosso lar.

Ja faz um ano e um mês que a gente se conhece, filha. E continua sendo mágico.
Setembro 17, 2007
Posted by Tati Perolada under
joys of motherhood [8] Comments
Então, após vários ensaios, a Gui tá andando sozinha!!!
Começou ontem, dia 16/09, com 1 ano e um mês. Claro que filmei, néam.
Pra não carregar muito o blog, vão os links pros primeiros passos, inclusive com direito a vídeo cassetadinha básica, mas dá pra ver bonitinho
Setembro 12, 2007
Setembro 12, 2007
Tava conversando com uma amiga minha, que fará a cesárea do bebê amanhã pela manhã. Mais um nenê fofo chegando nesse mundo.
A gente tava conversando sobre generalidades maternas, e falei pra ela algumas coisas que eu gostaria de ter ouvido quando tava pra ter a Gui. De tudo, acho que posso selecionar as três coisas que precisava ter carregado comigo desde o início.
A primeira delas é que é pra ela tatuar, no pulso esquerdo, a frase “EU NÃO PRECISO SER PERFEITA”.
A gente só precisa dar nosso melhor possível. Isso é o suficiente. A perfeição escraviza, é um fardo cruel e injusto. A perfeição é sob a ótica do outro – a gente, pra ser perfeita, tem que se anular pra satisfazer o outro, passando por cima de nós mesmas. Claro que é impossível agradar o outro, até porque ”o outro”, aqui, é uma coletividade. E ninguém agrada a coletividade, né. Fora que é um padrão impossível de ser mantido a médio e a longo prazo. Eu conversei sobre esse assunto com outra amiga ainda ontem, e ainda posto um texto só sobre isso.
Ainda, acho que ser a mãe perfeita é a maior maldição que uma criança pode ter na vida. Imaginou, nunca poder errar? Nunca poder confrontar aquele ser perfeito que é a sua mãe? E o que é prum marido conviver com o ser perfeito que anda nessa terra, quando confrontado com sua própria humanidade? Acredito que isso gera uma corrente de frustração que envolve a todos, porque essa mãe perfeita passa a exigir essa perfeição dos outros: do marido, da criança, dos amigos…
E, por se exigir a perfeição, a pessoa somente vai encontrar justificativa pra dar vazão a sentimentos como ódio, raiva, frustração se sabotar essa sua vida perfeita e provocar algo pra destruir essa harmonia familiar. Só assim, abrindo essa brecha, é que a pessoa vai conseguir libertar esse lado “escuro”. E mais ainda, acaba fazendo com que o marido ou o filho queiram “estragar” essa perfeição toda, só pra poderem sentir ódio, raiva, frustração – afinal, com que direito eles podem se sentir mal diante de alguém tão maravilhoso e perfeito?
E, ainda, acho que nosso papel como mãe é minimizar o tempo de terapia, hohoho. O Márcio fala que todo o filho precisa de terapia, sendo você a mãe perfeita ou não. Entendi que o negócio é minimizar os anos necessários de terapia pra ajeitar as coisas, hohohoh.
Mas, como disse, é assunto pra outro post.
A outra tatuagem é pra ser feita no pulso direito, com a frase “A MÃE SOU EU”.
Chega a ser absurda a quantidade de gente que tá absolutamente convencida que pode criar seu filho melhor do que você. E se deixar, abiga, ferra tudo. A gente que fez, carregamos a criança por 9 meses, agüentamos tudo, e ainda temos que ouvir dos outros como criar?? Afudê, né?
E, por fim, mas não menos importante: curta seu bebê. Curta muito.
Passa muito rápido, quando a gente vê eles tão rolando e sentando e andando e saindo pro mundo. Pegue no colo, cheire, fungue, tire fotos, morda os dedinhos. Descubra a personalidade dele todo o dia, veja as novidades, olhe como ele cresceu de uma semana pra outra. Role na relva, se suje junto, se permita ser criança com ele de novo.
As pessoas têm a mania horrível de virar pra gente ainda grávidas, e dizer: agora você não vai dormir mais, você vai ver o que é bom pra tosse (eu mesma ouvi isso, desse jeito, com uma voz sádica). Mas ninguém te avisa a coisa linda e a maravilha que é o bebezinho que tá chorando de madrugada se acalmar só com o som da sua voz.
Setembro 12, 2007
Posted by Tati Perolada under
pitacão [2] Comments
Eu tava lendo a entrevista da Dona Canô, na TPM. A mulé vai fazer 100 anos, e lendo a entrevista dela eu senti saudade de um tempo que não existe mais, e senti o cheiro das minhas avós. Sabe cheiro de vó? Pois.
Então Dona Canô encerra a entrevista com essa:
Qual seu segredo para chegar aos 100 anos assim, tão inteira, consciente e bem-humorada? Dentro do possível eu estou muito bem de saúde, mas infelizmente perdi o equilíbrio há dois anos, quando levei uma queda que tirou uma vértebra do lugar. Mas minha cabeça ainda está cheia de miolos. Aprendi a viver sem procurar sair dessa linha que fiz pra mim mesma. Viver é muito bom, mas saber viver é melhor ainda.
Né? Toda a sabedoria do mundo numa frase.
Setembro 11, 2007
Posted by Tati Perolada under
joys of motherhood [5] Comments
E a Gui, né, segue firme e forte e fofa.
Agora ela, quando acorda, senta no berço, passa as pernas pela grade e fica assim, falando e esperando a gente aparecer. A gente abre a porta e ela tá lá, sentada, balouçando as pernicas, com as mãozinhas segurando na grade do berço e rindo.
A bonita agora deu de fugir da troca de fraldas. Tou lá trocando a fraldinha, ela vira de bruços com a bundica de fora e sai engatinhando e rindo. Fofo, fofésimo, se na última vez que ela conseguiu fazer isso ela não tivesse enfiado o pé na fralda suja – bem suja. Ainda bem que ela tava de meias, então o estrago no edredon não foi tão grande. Quando dei a bronca, falando braba que “filha, isso não se faz”, ela levantou e me deu um abraço, ainda com a bundica de fora, deitando a cabecinha no meu ombro. Não sei lidar com isso, é sério. Fico achando fofo e perco a concentração na bronca. Não consigo focar.
Meus pais viajaram esse feriado. A Gui não se conformou e deu três broncas, feias, na minha mãe, quando eles voltaram. Três rounds de bronca, com direito a dedinho no ar, peitadas e brabeza séria. Depois que ela ventilou, deu um abraço na minha mãe e ficou tudo bem de novo. Mercurial essa minha menina.
Nunca vi bebê pra gostar de passear desse jeito. Nesse feriado, fomos ao mercado, ao parque e à feira, e em todos os passeios ela se divertiu loucamente. O mundo é muito emocionante prum bebezinho, né?
Ela compreende que o controle remoto serve pra mudar o canal. Então, quando tá em algo que ela não gosta, ela pega um dos controles, qualquer um deles, e começa a apontar pra tv, imitando o Babai até na posição do braço. Babai não agüenta e muda pro Discovery Kids, e ela acha que funcionou. Mas funcionou, né.
Trabalhar em casa é impossível com ela acordada. Ela tá na fase da ansiedade de separação, então se normalmente não consigo mais fazer xixi de porta fechada, agora tá pior ainda. Tudo bem eu sair de manhã pra trabalhar, mas quando eu volto no fim do dia, sou só dela. O choro é genuíno se saio do raio de visão dela. Tinha um prazo pra ontem, então trabalhei domingo à tarde com ela me rodeando, tentando apertar a tecla power (azul, luzinhaaaa) do lap top, ajudando a digitar (zzzzzzzzzzzxccccccckkkkkkkkkkkkkpppppppp) e a quase mandar todo o trabalho pro saco. Mas quem manda eu querer trabalhar em casa se domingo é o dia da mamãe?
É absolutamente maravilhoso perceber a personalidade dela. Ela é calma, não é ansiosa, é serena, mas sabe exatamente o que quer. Tenho tanto a aprender com ela…
Setembro 11, 2007
Posted by Tati Perolada under
joys of motherhood [5] Comments
É por isso que amo vocês, sempre me ajudando a ser uma pessoa melhor e mais feliz. Então, vai aí a atualização, porque afinal, o futuro do país está nas nossas mãos, né?
Fazer melequeira de sorvete, deixando derreter na cumbuca e virar aquela moussezinha;
Mamar na lata de leite condensado, como muito bem ensinou a Isa pra sua filha, no seu papel de educadora e formadora da nova geração;
Update: a Isa ainda lembrou que tem que ensinar a abrir a geladeira e comer comida gelada.
”Eu logo cedo ensinei a Ana a valorizar os músicos brasileiros: hoje, ela canta “Kátia Flávia” de cabo a rabo”, como orienta a Carlinha;
A DaniLondon, que muito bem lembrou “de derreter o Baton na mão e depois ficar puxando o chocolate derretido pela pontinha do papel. Que lambuzeira… E melhor que fazer desfile com a roupa da mãe, é vestir o irmão mais novo com a roupa da mãe e mandar ele desfilar pela casa. Vai por mim, rende risadas pra vida inteira!”
A Telinha, mãe de gatinhos fofésimos, lembrou de comer pão com manteiga e açúcar, e ensinou a recortar envelope que a mãe joga fora pra fazer pulseira: “é simples, ó, o envelope tá fechado, vc corta a ponta e joga fora. depois é só ir cortando pulseiras grossas e fininhas. a que ficar com o selo é minha, tá?”
A Dê lembrou de outra, essencial: “Jogar a cabeça para baixo na piscina para ficar com um penteado bem maluco quando a cabeça vem à tona”
A Tia Ale passou uma lista, imprescindível (é pra isso que serve tia, né?):- patinar de meia no chão liso
- fazer coroa com pacote de pão
- fazer trilhinha de dominó pela casa toda pra derrubar com o dedo
- treinar penteados
- pintar a unha com canetinha
- fazer tatuagens lindas com canetinha
- comer fruta na árvore
- andar descalça na grama
- descer corrimão ao invés da escada
- fazer pipa e soltar pipa
A Dani lembrou também de mais uma: “esperar a mãe distrair, pegar uma tesoura e fazer um corte superfashion no cabelo. De preferência, acompanhada de um irmão/amiguinho (a), porque aí um corta o do outro e o estrago é bem maior…”
Isso aconteceu comigo, hohohohooh. Eu fiz uma franja em mim mesma, que levou anos pra acertar de novo, hohohoohohoh. Minha mãe ficou louca
A Marcella apontou mais essas:“1. encher a boca de farinha láctea e ficar duas horas tentando engolir e degrudar tudo do céu da boca;
2. passar cola branca na mão, esperar secar (demoooora) e curtir lentamente o prazer de puxar os pedacinhos;
3. comer muuuuitas 7 Belos, colocando a próxima na boca, mesmo antes de engolir a anterior“
Mais alguma?