Mais uma gripe, nessa cidade com o clima mais bestíssimo que já vi. A Gui, claro, gripou junto, e teve que fazer inalação por uma semana.

A grande questão foi convencer uma pessoa de 82 cm de altura e muita personalidade a fazer a tal da inalação.

Consegui argumentar com ela dizendo que era “remedinho de vento”. Funcionou na maioria das vezes, e desde que ela “sedurasse”. “Eu siduro, mamãe”, era o que ela me dizia.

Modos que ser mãe é descobrir sua marketeira interior.

*

Claro, né, que essa cooperação toda tem tempo de duração: exatos 20 segundos.

Como não dá pra fazer uma assembléia deliberativa com um bebê, não há outra alternativa do que uma abordagem stalinista. Enfiar a criança embaixo do braço e dar o remédio na marra acaba sendo a solução. Odeio fazer isso.

*

Na médica (moça médita, segundo a Gui), a qual está grávida de 6 meses, seguiu-se o seguinte diálogo:

Eu: Gui, sabia que tem nenê na barriga da médica?
Gui, curiosíssima: É? Nenê?
Médica: Isso, tem nenê aqui dentro, ele tá dormindo aqui dentro.
Gui: É, ele tá nadando aí dentro.

o.O?

Bão, mais uma demonstração de toda a pessoísse da Gui.

Estávamos vendo um vídeo de planetinhas no youtube, niquiqui a menina começa a dançar  no colo de Maguido. Batendo o pezinho, fazendo head banging e tudo, regendo com o dedinho. Super animada, começou a cantar junto com a música.

Descobrimos que fundo musical era de uma banda chamada Within Temptation, e o nome é Stand My Ground. Maguido achou parecido com o som do Nightwish, e pra testar, procurou vídeos. Batata. Ela gostou tanto que deixamos tocando enquanto fizemos os preparativos do berço, e na hora de ir pra cama, ela soltou um “Bá môiti papai, Bá môiti mamãe, Táu musiquinha”.

Modos que temos uma menina que curte Neo Gótico. Não nos falta quase mais nada, o que falta é mesmo bem pouco.

Agora já temos o fundo musical da festa, ó só. Planetas Underground.

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O medo é que Maguido decidiu fazer o teste definitivo e já ameaçou avisou que amanhã vai colocar Evanescensce.

Ela é só uma criança…

eu - Gui, quantos anos você vai fazer?
Gui - Dois. Na Terra.

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Tipos, oi?

Então hoje saí com a Gui pra dar uma volta, e aproveitar pra ir numa casa de artigos pra festas, pra assuntar um pouco.

Foi diversão pura. A menina se esbaldou, viu o que quis, brincou com o que quis e não mexeu no que não podia, comportamento exemplar. Modos que ganhou um trocinho de fazer bolhas de sabão e um balão em formato de estrela azul.

Só que eu conheço a dona da casa de festas, e adoro ela. A Gui também se apaixonou pela Lia, e foi recíproco. Daí, a Gui ganhou um balão com hélio e uma tiara lilás (que ela chama de coroa, vai saber).

E assim voltamos pra casa, andando pela rua:

Praticamente uma alegoria, néam?

E hoje é meu aniversário!!!!

34 anos, e cada ano tá melhor que o anterior :)

Há vida fora do sofá?

E cada dia tem mais, isso não para nunca, hohoho.

*

Temos ido tomar café todo o sábado de manhã com uma amiga querida, seu filho fofo e seu marido gentil. Ontem, no café, a Gui começou a flertar com uma moça, e essa moça puxando conversa com ela. Ela começou a perguntar de desenhos, quis saber se a Gui via os Backyardigans (Betádidãns) e qual outro desenho que a Gui gostava, no que a Gui respondeu “A Terra. Panetinhas”.

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E tem as formas, né. O cítulo, o tiâmbulo  e o tadado.

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Hoje, almoço com vários amigos na casa dos meus pais. Ao perguntarem pra Gui onde a Tia Ale mora (ela sempre respondeu certinho, dizendo em “São Paulu”), ela responde, com o ar de coisa mais óbvia do mundo “Na Terra”.

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Agitadíssima hoje, ela resolveu que não ia dormir à tarde. Modos que chegou no fim do dia, e a pobrezinha arrebentada. Ela deitava no chão, na gente, em tudo.

Peguei um edredon, coloquei no chão, pus dois travesseiros e falei pra ela que a gente tava fazendo acampamento - era uma forma de ela deitar conosco e tentar descansar um pouco. Ela adorou a idéia, ficou feliz da vida e ficava falando “tapamento”. Dali a pouco, ela parou, pensou e falou, pausadamente: capomento.

Então, capomento será.

*

E ela tá com uma coisa muito fofa. Quando ela vai pedir alguma coisa, ela fala “Mamãaae, eu queria…”.

*

Morninho no peito.

Tá um frio moscovita nessa cidade besta. Impossível.

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Tou eufórica com os preparativos da festa. Me sentindo em plena feira de ciências.

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A Gui ama passar perfume e creminhos. Ela tem uma necessaire, com dois perfumes e vários cremes. Modos que ela pede “Vamo passá pefúme”, “Óiiiaaaa, picisâmus passá queminho”, e por aí vai. Ela coloca o dedinho no perfume e passa no rostinho, no pescoço, no nosso pescoço e ocasionalmente, come um pouco de creme.

Ela adora fazer isso comigo, quando chego em casa. Me pega pela mão, me leva pra minha cama e ficamos nisso uns 50 minutos, facinho. Ela vai dormir super cheirosa.

O mais legal é quando ela passa o creminho e fala “É molhadinho”.

*

Ontem, a Gui brincando na sala, parou pra pensar e disse “Mamãe… Tatiana… Amada… Papai… Meu amôr”.

E quando eu ligo pra casa e a Má me conta isso, eu tenho vontade de largar tudo e voltar pra casa e morrer de amor, de amor me perder, mó Wando style.

Então é oficial. O ídolo da infância da minha filha é o Carl Sagan.

*

Meu pai deu pra ela 9 dvd’s: 5 da coleção Cosmos, 2 de uma série chamada Space Odyssey e 2 de uma chamada Evolução. É uma sorte imensa a Tia Ale trabalhar na Superinteressante Mundo Estranho e trazer essas coisas pra gente.

A cara da Gui quando viu os dvd’s foi memorável. Ela pulava e dava gritinhos e sapateava, dizendo “Livros! Óia sóoo!! Lívros, êbaaa!”. Explicamos que era filminho, e a alegria continuou a mesma.

Modos que passamos o fim de semana vendo o dvd Space Odyssey, uma série da BBC sobre como seria uma viagem tripulada até Plutão, passando por Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

Gui enlouqueceu. Ela amou a ispaçónávi, e dizia toda a hora o nome dos planetas. Ah, a propósito: galáxia é lática, já contei?

O mais legal é a torcida pra espaçonave: “Óia! Tá vuando!” , “Óia, planetinhas!” e o mais legal, quando a espaçonave pousava: “Ôba! Conseguimos!” (batendo palminhas).

*

O que rendeu alguns diálogos insólitos:

eu- Gui, vamos ver a Boo? (me referindo ao filminho Monstros S/A)
Gui- Não. Vamus ver ispaçonávis.

eu- Gui, espaçonaves são coisas que as pessoas usam pra ir até o espaço e ver os planetas.
Gui (afirmando) - Longe da Terra.

Nós vendo o filme, e eles saem de Saturno (Satúino)  e indo pra última parada, que era Plutão:
Maguido - Gui, pra onde eles tão indo agora?
Gui (de forma precisa e pontual) - Putão.

*

Sabe o mais legal de tudo? A cara de quem vê isso ao vivo. Né, Lu?

Bão, a Gui tá fofa e talz, mas agora entrou na fase de afirmar sua individualidade. Tudo é não. Tudo. Quer comer? Não. Quer brincar? Não. A primeira resposta é sempre não, e logo em seguida ela faz ou aceita o que havíamos proposto.

Mas desenvolvemos a metodologia de fazer assim mesmo. Ela pede pra ver o livro, e perguntamos se ela quer vir com a gente. Ela responde Não!, e agarramos ela mesmo assim, ela se acomoda e fica lendo o livro conosco.

Ela tem afirmado a individualidade dela no nosso colo.

Benê tava deitadinha no sofá, encolhidinha. Nisso, a Gui chega e começa a fazer carinho nas orelhinhas dela, dizendo “Aaaahhh, Benêeee, dómi, dómi, é óra di dumí. Pódi dumi, tá tudo bem, fica cum Deus, dómi dómi.”

*

Há vários desenhos que se chamam tal coisa e seus amigos. A Gui fala amidos.

Modos que eu sempre visualizo o desenho com um monte de caixinhas de maisena dançando do lado. Eu tenho problemas.

*

Maguido colocando terno e gravata, e a Gui dizendo “Papai di garrafa”. Garrafas e abotoaduras, olha que fino isso num homem.

*

Por conta do horário de trabalho, Maguido tá chegando antes de mim em casa, e ficando com a Gui por uns 45 minutos, só os dois. Isso tá fazendo maravilhas pro relacionamento deles. Coisa mais fofa do universo a Gui chamando ele de Papaizinhô.

*

A fofice impera.

Amo cozinhar, amo profundamente. Mas curiosamente, nunca tive facas boas.

Existe uma lenda/simpatia/superstição russa de que se você ganha uma faca de alguém, a amizade é cortada. Assim, quando você ganha uma faca, você deve dar uma quantia em dinheiro, simbólica, pra descaracterizar como presente e virar uma compra. Talvez por isso nunca tenha ganhado facas de presente dos meus parentes.

De todo modo, esse lapso da minha vida foi sanado. Comprei duas facas lindas, da Tramontina (Ultracorte), simples e eficientíssimas, juntamente com um afiador de faca. Gentem, cortar cebola vira programão. É uma delícia, parece que tava cortando manteiga. Super amei.

Eu achava que era frescurinha, veja você. Na verdade, é necessidade básica. :)

A Dani é um gênio. Um gênio da medicina, da moda, do luxo, da elegância e das festas infantis.

Amada, obrigada por ver o óbvio. Ontem nem dormi pensando na festa de planetas :)

Hoje a Gui acordou às cinco e meia da manhã, chamando Mamãe! mamãe! a plenos pulmões.

Fui lá falar com ela e explicar que era hora de dormir, e ela gritava Não, mamãe, cuida da Gui.

Usei o truque sujo de passar o paninho no rosto dela enquanto explicava que era hora de mimir. Funcionou, mas depois de vinte minutos ela começou a falar lá do quarto Mamãe! Papai Ricádôoo! Cuida da Gui!

Eu não tenho coração pra isso. Ainda bem que ela sossegou depois de alguns minutos.

Tomei uma atitude que implicou melhoria IMEDIATA na minha qualidade de vida: comprei um secador com 2.000W de potência. O troço é tão bom que até faz coice quando ligo. Coisa mais linda, aquele vento todo nas cabelas, fica tudo lindo e seco em 7 minutos, é impressionante. Nem dá pra comparar com o anterior, de 1.400W.

Assim como máquina de lavar louça, eu super recomendo. São pequenas coisas, mas a melhora na qualidade de vida é absurda.

Ontem, a Gui fez um ano e dez meses. Contei isso pra ela:

Eu: - Filha, hoje você tá fazendo um ano e dez meses!
Ela: - Um âaanu i déiz mesis!
Eu: - Isso mesmo, filha! Viu só?
Ela: - Ah, foi ótimo!

Tou podendo com isso? Tou? Daqui a pouco ela vira e fala que foi lindo, que ela fez novas amizades e que conheceu um monte de gente interessante, e que parece que a vida dela tá começando agora. Vige.

A propósito. O aniversário de 2 anos tá chegando e eu não tenho a menor idéia do tema da festa.

A receita eu peguei das Rainhas, nesse link aqui. É indecente de tão gostoso.

Tinha feito no sábado à noite, pra levar pro almoço no domingo, mas a torta sofreu um sério acidente: encontrou eu e Maguido num beco escuro, à meia-noite, e não sobreviveu. Não dava pra levar meia torta pra servir, né.

Na minha receita, modifiquei algumas coisas:

- pra massa, usei 150g de manteiga derretida (ao invés das 100g indicadas);
- pro recheio, usei produtos “de verdade”, não coloquei nada light ou desnatado;
- usei as raspas de um limão inteiro;
- usei um envelope de gelatina em pó, faz muita diferença e recomendo demais;
- usei geléia pura, sem diluir na água;
- a forma certinha foi a redonda, de aro removível, com 22 cm de diâmetro;
- eu precisei de 3 horas de freezer pra poder cortar.

A receita então ficou assim:

Massa:
- 1 pacote de bolacha maisena bem moída no liquidificador;
- 150g de manteiga derretida

Misturar tudo e formar uma farofa úmida. Forrar a forma e levar ao forno médio preaquecido por exatamente 10 minutos. Deixar esfriar antes de rechear.

* Recheio:
- 350g de ricota fresca;
- 100g de requeijão cremoso;
- 2 ovos;
- 1 lata de leite condensado;
- raspas de um limão verde;
- 1 envelope de gelatina em pó diluída e preparada conforme instruções da embalagem.

Bater tudo no liquidificador, colocando a ricota por último e aos pedaços. Colocar na massa assada e fria, e levar ao freezer por pelo o menos 3 horas.

* Cobertura
- Geléia de morango, ou framboesa, ou frutas vermelhas. Acho que goiabada derretida ficaria absurdamente bom também. Colocar sobre a torta quando a massa já estiver dura.

Pra servir, desenformar e deixar fora do freezer pra amolecer um pouco.

Lá em casa rendeu 4 porções, hohoh. E não deu tempo de tirar foto pra colocar aqui.

E o frio, minha gente. Jesus, Maria, José e os burrinho tudo.

Agora fazem dois graus, e temos duas gatas absolutamente desesperadas nessa casa. Hoje, a Salomé chegou a se enfiar dentro da minha jaqueta, tentando entrar em uma das mangas. O detalhe é que ela tentou isso enquanto eu estava usando a jaqueta. Fiquei uma hora e meia com as duas no meu colo, tentando se esquentar. Liguei o aquecedor no quarto da Gui, e a Salomé foi a primeira a aparecer e a sentar na frente dele, com o  olhar esperançoso. Da Benê, nem falo nada, que a falta de noção dela é uma cousa.

A gente sarou daquela gripona, depois de passarmos ela pra Má, coitada. Todos no antibiótico, mas tudo passou. Tomara que a gente resista ao frio.

A Gui, né. Cada dia mais fofa e mais ardida de esperta.

Agora deu de amar planetas. Tudo começou com um livro de números, ela amou o sistema solar e decorou o nome dos planetas. Modos que dei pra ela um livro que era meu, quando eu estava na 1a série, chamado “No mundo da estelândia”, que ela chama de “Lívu dus Panêtas”.

O planeta preferido dela é Satúino, acho que por causa dos anéis. Ela fala “óoia, mamãe, Satúino! que ótimo!”. E esses dias, ela tava folheando o livro e dizendo “Panêta Térraaaa, panêta Térra, cadê você? Tô pocurando!”.

Mostramos imagens de planetas no Google, e Maguido procura vídeos do sistema solar e sobre planetas no youtube, e ela aaamaaaa. Ela adora ver “láticas” (galáxias) e “estêias“. E pede os planetas, não dá pra mostrar um achando que vai engambelar no lugar do outro: ela sabe qual é qual, e continua pedindo até mostrarmos.

Tou procurando um atlas de planetas pra ela, alguém sabe pra indicar?

*

Ela ama biscoitos de polvilho - acho que é universal entre crianças, né? Come meio pacote sem dó. Esses dias, ela praticamente almoçou um pacote todo.

E adora maduíns (amendoins) torrados. Já vou avisando que foi a pior fralda que já troquei na vida. O sachê de aroma do campo mais fiel que já vi.

E pipocas. Adora pipóta, ama ouvir o troço estourando e fica na frente do micro assistindo e pedindo pepotinha (pipoquinha). Come que nem gente grande.

E quando não quer mais comer, ela diz “Não té mais. Vamo guardá?”. Se não quer mais, dá na metade mesmo. Esses dias, deu meio biscoito de polvilho pra Maguido guardar.

*

Ela é excelente companhia pra tudo, especialmente pra ir ao mercado e mais especialmente ainda ao Mercado Municipal - metáido, como ela diz. Ao chegarmos, a primeira providência é comprar um pacote de biscoito de polvilho, e lembrar de oferecer água a cada 40 minutos. É uma beleza. Se der pra mostrar pessinhus, melhor ainda, mas a dureza é tirar ela da frente dos aquários.

Quando vamos ao mercado “normal”, a estratégia é simples: eu faço as compras, e Maguido cuida dela. Ou melhor, ela cuida dele, né, que o roteiro é todo dela. Ela decide se vai ver as fozinhas, ou se vai ver o matarrão, ou se vai mexer com as pessoas, ou ainda se vai fazer o circuito garagem-carro-escada-rampa cinco ou seis vezes.

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Ah, sim, e ama animais. Ela imita o leão (gente, o rugido é de doer de fofo) e o elefante, fazendo com a mãozinha pra imitar a tromba. E gosta do pópamo (hipopótamo) e dos máltamas (os dálmatas).

*

Mas eu tou em crise total. Total mesmo, bicão. Tudo porque o pessoal do Babycenter já me avisou que daqui a dois meses a gente vai evoluir pra outro boletim semanal. Ao invés de recebermos o toddler bulletin, vamos receber o preschooler bulletin. Naonde que o tempo passou e eu nem vi?

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