As top perguntas:

- I puuuurqueeee????
- O quiqui tá esquito?
- O que sifinifica?

*

- Mamãe, tem coisas que a gente não come. Por exemplo, caixa. Por exemplo, papel. Por exemplo, flor.
- Mas filha, tem algumas flores que a gente come, sabia? Não são todas as flores, mas tem flores que a gente pode comer.
- Mamãe, eu quero comer flor! Quero comer uma flor branca!

*

- Filhinha, eu sou muito feliz em ser a sua mamãe, sabia?
- Eu também sou muito feliz em ser a sua Inguidi, mamãe!

*

Daí a Alê Garattoni deu a dica de um site (pra quem usa blogger) que localiza posts copiados em outros sites. Quando o site abre, aparece escrito “Quem me ama?”

Tava vendo com a Gui, e ela perguntou “o quiqui tá esquito?”, e eu disse: “aqui tá escrito: quem me ama?”

E ela, com a MELHOR cara de safada, me olhou de ladinho e disse “sou eeeeu…”

*

E eu aperto, né? Aperto até ela fazer hán.

“Mamãe, você é uma ótima cozinhadeira!”

*

A Gui ama carrinhos, ama. Faz pista pros que tem e tudo.
E ontem ela ganhou um carrinho hot wheels do meu pai.
Ou melhor, um carrinho “róqui mils”.

*

Eu, pedindo pra Maguido: “amor, dá uma olhadinha no bacon que tá fritando, por favor?”
Ela, com a melhooor entonação: “mamãe, você falou bacon? e por que você falou bacon? tá pronto? eu quero bacon!”

Hohoho, ela é vegetariana (odeia carne. é impressionante), mas acho que bacon não entra na categoria de carne, hohoho.

Fui hoje com a Gui, fazer o RG dela. Cara, todo um modelo de comportamento lá no IIPR. Tirou a foto certinho, deu os dedinhos pra moça tirar as impressões, brincou com a girafinha e quis saber tudo.
Na saída, disse “obigada, moça, por ter pego meus dedinhos e colocado na luzinha pra tirar a marquinha do dedo!”.

*

Voltando pra casa, indo pegar o ônibus: “mamãe, a gente vai fazer chequin?”

*

E esses dias, chamaram ela de “ser humana”.
Ela retrucou, dizendo “eu não sou ser humana! eu sou uma mocinha!”

*

A melhor coisa da minha vida é ser dela.

Hoje é meu dia, que dia mais felii-iz!!!

Tou fazendo 35 anos! Mas, obviamente, continuo com 27, hoohoh

flowerday

será que ainda sei mexer nesse troço?

Ela tá falando todos os “r” e “s” no fim das palavras. Todos.

Ela tá falando melhor do que eu.

- Mamãe, meu telefone tá dentro da vaca.

*

- Filha, come a batatinha, ela vai ficar triste e com saudade da cenourinha que já tá na sua barriguinha.

*

- Amor, não põe isso na boca.

*

(colocando um pote de sorvete na cabeça):
- Mamãe, eu sou uma réia!
- Uma rainha, filha?
- Isso, uma rainha!

(tirando o pote de sorvete da cabeça e se jogando no chão)
- Agora eu sou um peixe!

(colocando o pote de sorvete da cabeça e se jogando no chão)
- Eu sou um peixe rainha!

*

- Você quer dormir com o Buzz ou com o saturninho?

*

(vendo Toy Story)
- Olha, mamãe, o Buzz! E o tiozinho que fica do lado do Buzz!

*

(explicando pra mim)
- O Papai Noel vai no meucado e compra tudo, ele faz a conta que ele quer.

*

- Vamos no mercado comprar dinheiro?

*

- Filha, não se esfregue no chão, levanta daí!
- Não, eu sou um polvo!!!
- Filha, então seja uma borboleta… Levanta, bate as asas…
- Mas eu não quero ser uma borboleta. Eu sou um polvo!!!

Cada dia, uma, duas, várias.

*

- Filha, vamos tomar banho?
- (esparramada na cama, deitada de bruços, a imagem da criança largada e com preguiça) Ahhh, nãaao, mamãe, eu tou limpinha.
- Não tá não, filha, tá sujinha. Você quer ficar que nem o sapo, que mora na beira da lagoa e não lava o pé porque não quer? Vai ficar com chulé, amor.
- Ah, mas meu pé não tem chulé, ele tá limpinho…
- Não tá não, tou vendo aqui, tá sujinho.
- Ih, foi mal.

*

- Mamãe, vamos pro espaçoporto?

*

(Vendo Monstros S.A.)
- Aaahh, a Célia, tá fazendo carinho no Mike Wasalsquinho…
- O Mike Wasalski parece um MM, mamãe…

*

- Você quer brincar comigo, mamãe, quer?
- Filha, eu quero, mas eu quero antes tomar banho.
- Não, você não quer tomar banho. Você quer brincar comigo.

*

- Mamãe, eu tou colocando a água pra fora, porque eu quero tirar o excesso.

*

- Mamãe, a Benê tá dormindo completamente!

*

- Eu não quero comer nadíssima.

*

- Eu nunca, nunquíssima vou conseguir fazer isso!
- Vai sim, filha. Pára, respira, e tenta de novo.
- (parando, respirando muito fundo, recomeçando e conseguindo): Eu consegui!!!
- Isso, viu? Como é que faz? Mostra pra mamãe.
- Assim ó: (fecha os olhos, respira fazendo barulho bem forte e gritando em seguida): consegui!!!

Esse ano, né, foi.
E foi bom.

Eu ri muito.
Eu xinguei.
Eu amei.
Eu fui amada por quem eu queria que me amasse, e por quem eu nem imaginava que podia me amar.
Eu mudei de emprego.
Eu cortei o cabelo.
Eu me cortei algumas vezes.
Eu trabalhei muito.
Eu fiz novas amizades.
Eu me afastei de antigos amigos.
Eu me reaproximei de antigos amigos.
Eu me arrependi de muita coisa.
Eu me orgulhei de muita coisa, principalmente de mim mesma.
Eu chorei menos.
Eu doí menos.
Eu me perdoei mais.
Eu voltei a me maquiar e a fazer minhas próprias unhas.
Eu voltei a me sentir bonita.
Eu emagreci e engordei e quero emagrecer de novo.
Eu me surpreendi muito, em todos os sentidos.
Eu repensei muita coisa.
Eu descobri quais são minhas prioridades, ou pelo o menos boa parte delas.
Eu ainda me acho uma fraude, mas tou começando a acreditar mais em mim mesma.
Eu me apaixonei pelo meu marido, em praticamente todos os dias.
Eu amei minha filha cada dia mais que o outro.
Eu me desapeguei mais.
Eu deveria ter falado menos.
Eu cozinhei muito.
Eu me diverti.
Eu me entediei.
Eu passeei.
Eu descobri um sabonete líquido pro rosto que, meniiina, nem te conto, que delícia.
Eu senti saudades.
Eu queria ter lido mais.
Eu não consegui fazer um monte de coisa que eu queria ter feito.
Eu fiz coisas que jamais imaginaria que faria.
Eu me vinguei, sem ter planejado nada.
Eu senti muito ódio.
Eu me senti tão humana.
Eu tive pouco tempo livre.
Eu continuei sem encarar algumas coisas.
Eu tive medo.
Eu conheci pessoas que acreditam mais em mim do que eu mesma.
Eu tive menos enxaqueca.
Eu comi menos sorvete, mas mais chocolate.
Eu experimentei comidas diferentes.
Eu dei pelo o menos uma gargalhada, todos os dias, sem exceção.

Meu coração está maior.

E agora tá na fase deliciosa de inventar palavrinhas :)

Tipos contristi.

Como nesse diálogo:
- Gui, vamos almoçar, querida?
- Não, mamãe, eu tou contristi.
- É mesmo, amor? Tá contristi? Mas ó, na sua comidinha tem letrinhas (ela ama macarrão de letrinhas), carninha, cenourinha, chuchu, mandioquinha, caldinho… Tá tãaao gostoso, filha…
- Oba! Agora eu tou contenti !

*

- Mamãe, eu quero ir lá!
- Então vai, filha!
(me olhando com medinho) – Mamãe, mas eu quero!
- Então vai, filha, coragem, sijoga amiga!
(correndo feliz da vida, indo onde queria)- Mamãe, eu simijoguei!

*

E os superlativos, né. Uma coisa não é só grande. É grandi, enóume, imeeeenso, deeeeesse tamaaanho!

E uma coisa não é pequena, é pequenininha, onnn, desse tamanhinho…

*

E se atreva a dizer que ela é sua pequenininha. Vai, se atreva.

- Eu não sou pequenininha. Eu sou pequena.

Se ela estiver bem a fim de marcar a opinião, ela vai responder “Eu não sou pequena. Eu so graaandi, eu cresci!” . E se ela estiver sentada ou deitada nessa conversa, ela vai se levantar, ficar agachada e ir se esticando até ficar na ponta dos pés, afirmando com toda a convicção que “Eu tou cresceeendo!”.

*
Toda uma técnica de morder sem deixar marcas. Acho que vou patentear.

Ah, e antes que eu esqueça de contar.

Ela tá com uma coisa linda, de dizer “empésta pa mim”, quando quer pegar algo ou alcançar alguma coisa. “Empésta pa mim o paninho? Empesta pá mim a massinha?”. Uma delicinha.

Hoje, eu tava indo pra cozinha, ela agarrou as minhas pernas e disse “Empésta você, mamãe?”

Como eu explico que ela me tem inteira?

Hoje fomos cortar o cabelo da Gui, pela primeira vez. Ela chorou um pouco, mas depois, quando saímos, disse que na próxima vez não vai mais chorar (nessas horas que ela fala assm eu acho que ela tem uns 12 anos).

*

E sábado é dia oficial de fazer bolinho com a mamãe.

Ela AMA. Curte cada instantinho, quer ajudar, uma delícia. Eu coloco ela em pé na cadeira, e ela fica observando tudo, dizendo o nome dos ingredientes e pedindo pra lamber a bacia. E fica cheia de ooohs e aaahs, impressionada como as coisas vão se misturando e achando tudo muito fascinante.

Uma das partes mais legais é ela olhando o bolo assar. É tudo de fofo. Ela conversa com o bolo, diz que ama ele, é mó engraçado :)

*

Fotos do cabelo novo e da farra do bolo:

Bão, essa história começou na quinta.

Estávamos nós três brincando na nossa cama, fazendo farra com a Gui. Do nada, ela olha pro lado, pro ar, e diz “‘Oia, meu irmão tá chegando!“. Eu arregalei o olho, e perguntei o que??? E ela respondeu “Meu irmão tá chegando, ele tá vindo“.

Perguntei qual era o nome do irmão, e ela, ainda olhando pro ar do lado dela, disse “Como é? Não entendi o que você disse, como é o que quer dizer?”  e depois disse como se estivesse tentando repetir algo parecido com “Méquis, Léquis, Luíquis”, assim, na seqüência.

Ontem a conversa foi parecida, e hoje a coisa toda foi mais dramática. Ela disse, com todas as letras, “Meu irmão Lucas tá chegando”. Hoje eu tava mais tranqüila com essa história, então perguntei como ele era. Ela disse que “Ele tem olho azul claro” e, passando a mãozinha no meu cabelo, disse “o cabelo dele é marrom, mais claro que o da mamãe”. Quando eu perguntei quando ele vinha, ela disse “Ele vem mais tarde. É sábado. Ele vem mais tarde”. E ela arrematou com “Eu gosto do meu irmão Lucas, eu gosto bastante do meu irmão Lucas”.

*

Modos que, se vocês virem uma mulher de 34 anos andando com os olhos arregalados e falando fino, essa sou eu.

Sábado fomos a uma festa de criança. A Gui tava com Maguido do lado de fora, de mão dada, passeandinho. Uma menininha, um pouco mais velha e maior do que ela, do nada e sem motivo nenhum, deu um empurrão na Gui, e saiu andando.

Pois a Gui soltou da mão do Ricardo, saiu atrás dela, e com o dedinho esticadinho, cutucou a menina e disse, com autoridade: “o que é isso, quiança?”

Nisso, a menininha se emputeceu por ter sido chamada de criança, e quando foi retrucar, começando uma frase do tipo eu não sou quiança, a Gui simplesmente virou as costas e deixou a bunita falando sozinha.

Gentem, morri de orgulho da minha menina. Ela não leva desaforo pra casa, e ao mesmo tempo não perde tempo boquejando com a patuléia.

AMAY.

*

E nessa segunda ela resolveu que iria iniciar o desfralde.

Sim, ela decidiu isso.

Pegou o peniquinho e disse que iria fazer xixi nele, sentou e lá ficou. Ficou com um copinho de suco na mão, sentadinha no peniquinho por um tempão, olhando pra baixo ocasionalmente pra ver o que tinha acontecido. Não fez xixi, mas isso não a demoveu da idéia.

Ontem rolou um cocozão. Mas nada de xixi ainda.

Ela ta pronta pro desfralde. Eu não sei se EU tou.

*

No quintal, vendo um sapo:
- Óooia, mamãe, um sapo! Um sapinho, que bonitinho!
- Isso, filha, um sapinho!
- Óia, mamãe, ele pula! Pula, pula!
(com um ar super pensativo, dá uma pausa, olha com um ar de quem concluiu algo e diz): – Mamãe, ele não lava o pé.

*

Ela lembra da época em que ainda morava na minha barriga. Ela conta que nadava, que não era pá empurrá (ela tava sentada e eu pedia pra que ela não empurrasse meu fígado) e que ela “ouvia o turação, tum tum”.

*

E girando o dedinho em círculos, ela fala que “Os panetinhas giram em toooooorno do Sol”.

Se a gente pergunta quais planetinhas giram, ela fala “A Terra! Metúrio! Vênus! Satúino! Júpiter! O papai!”

*

Cada dia é melhor e mais delicioso que o outro.

Porque aqui já é.

Hoje de manhã pedi pra Má liberar o canto dos brinquedos da Gui na sala, pra que eu pudesse montar a árvore de Natal. Ela fez isso, e a Gui tava borboleteando enlouquecida em volta dela:
- Má, queque você tá fazendo?
- Tou tirando seus brinquedos pra mamãe poder montar a árvore de Natal.
- Árvore de Natal? Árvore lá de fora?
- Não, Gui, é uma árvore especial, bem linda, que a mamãe vai montar pra você.
- OBAAAAAAAAAAAAAA, ÁRVORE DE NATAAAL!!!
- Isso, Gui! E vai ter um monte de bolinhas coloridas e enfeites.
- Bolinhas? Bolinhas de sabão?
- Não, Gui, são bolinhas coloridas que vão na árvore.
- OBAAAAAAAAAAAAA, BOLINHAS COLORIDAS NA ÁRVORE DE NATAL!!!

E diz a Má que isso foi a manhã toda, e ela super ajudou a arrumar tudo, foi super prestativa e interessadíssima em liberar a área.

Modos que a montagem da árvore foi hoje mesmo, né. A vida é agora, etc.

A felicidade dessa menina ao montar a árvore comigo foi uma coisa. Ela tava emocionadíssima, me ajudou a pendurar os enfeites, deixei ela pendurar os enfeites que quis e do jeito que quis. Um dos galhos tá com 4 maçãzinhas douradas, e vai ficar assim mesmo, é temdemsia. Os gritinhos de alegria dela vão ficar pra sempre em mim, coisa linda nesse mundo.

Ela me ajudou a montar metade dos enfeites, quanto então ela decidiu que era um dragão. Um dragão veuuude que come papá e que tem dentes beeem graaandes. E ficou correndo em volta de mim, atazanando as gatas que estavam entrando e saindo das caixas de enfeites.

Montei o resto e quando ela se deu conta, a árvore tava pronta, com as luzes acesas. Cara, ela dava pulinhos no lugar, en lou que ci da. Ficamos com a árvore acesa e a luz da sala apagada, até a hora dela ir dormir.

Por mim, é Natal o ano todo.

*

Rou rou rou para todos.

Então hoje completamos 5 anos que nos conhecemos.

E continua parecendo que foi ontem. E continua parecendo que foi assim desde sempre.

Não sei quem ainda nesse mundo não conhece a Fal. Eu amo essa mulher com uma força que chega a doer no meio do meu esôfago.

E ela acabou de lançar Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, e ganhei um exemplar da Ale. Caras, dói, dói pra burro, e é muito, muito, muito bom. Eu amei odiando. E deu lagriminha ao ver meu nominho nos agradecimentos :)

Tudo bem?

Ninguém se engasgou com o pó que juntou?

Aff. Esse tempo voa e eu nem vejo.

Tem um programa pra baixar da internet, chamado Celestia, que é praticamente um simulador do Universo. Baixamos, claro, e já tem meses que é o preferido da Gui.

Ontem, estávamos vendo os planetinhas, e ela vai pedindo qual ela quer ver. Ela faz isso encarapitada no colo de Maguido, e ele vai procurando os planetas que ela pede, aproximando, girando, e explicando.

Bão, depois que ela pediu pra ver a Terra, Netuno, Satúino, Mecúio e a Lua, começou a pedir pra ver “Átia”.
- Átia, Gui?
- Átia, papai.
- Mas o papai não sabe onde é Átia. Onde é Átia, Gui?
- É lua di Satuino, papai.
- é mesmo, Gui? Então papai vai procurar em Saturno, peralá.

E achou.

Lá na lista, tava “Atlas”, como uma das luas de Saturno.
- Filha, é Atlas que você queria?
- (toda satisfeita) Isso, papai, Átia.

o.O

Tipos, que ela super leu todo o folder do sistema solar antes de vir pra cá, néam? Adorei o agente de viagens dela.

Uma coisa que mais me atraiu pro blog das Mothern foi a proposta do mantra “Culpa não”. Elas realmente tentam viver a vida sem culpas, na medida do possível. Elas praticamente consolidaram na mídia um estilo de vida adorável, que realmente serve de referencial. Quando engravidei, quis ser bem assim, resolvida e focada.

Pois eu descobri que não consigo. Mesmo.

Não consigo ficar feliz e não consigo separar totalmente a maternidade de todos os meus outros papéis. Ao invés de ser uma das prateleiras no meu armário, a maternidade, pra mim, tá mais pra uma toalha que cobre toda a cômoda. Minha vida é regida pelo tempo que tenho pra Gui, e em como vou fazer pra otimizar esse tempo.

E isso porque, pra mim, aproveitar a infância da minha filha e as deliciosas pequenas coisas do dia a dia são sim fundamentais pra mim.

Não tenho coragem, por exemplo, de ir ao salão ou à academia ou onde quer que seja em horário que deveria estar com ela. Até hoje não consegui dormir uma noite sem ela ressonando no quarto ao lado. Não consigo sair de casa sem vê-la, não aceito chegar em casa e ela já estar dormindo.

Admiro profundamente quem consegue tudo isso, mas por favor, não me venha com discurso motivacional. Não consigo, pronto, essa sou eu, canceriana doente. E pior, não quero mudar não.

Modos que resolvi assumir e incorporar o meu mantra pessoal: NÃO SOU OBRIGADA.

Decidi que não sou obrigada a ser a perfeição da mãe desencanada e resolvi assumir que sim, tenho culpa sim. Me rôo de culpa quando saio de casa e a Gui pede pra eu ir passear com ela. Não sei ser firme e forte toda a vida – embora eu procure sempre manter a coerência e a constância de comportamento quando me relaciono com a Gui, tem dias que não dá.

Não sou obrigada a ser constante e perfeita. Não sou obrigada a seguir todas as regras sempre e cegamente. Não sou obrigada a me sentir bem e como se estivesse vestindo uma calcinha que acabou de sair da gaveta quando chego tarde em casa e só tenho mais 40 minutos de tempo útil com a Gui. Não sou obrigada a não sentir ciúme das outras pessoas que passam mais tempo com ela do que eu. Não sou obrigada a estar linda, loira, esmaltada, depilada e escovada, se pra isso vou perder uma manhã inteira de sábado. Não sou obrigada a lidar bem com isso.

Como ontem, por exemplo. Nove da noite, e ela não queria dormir no berço, mas sim qué ficá na sala com a mamãe, e gritava meu nome lá do quarto. Capitulei. Modos que ficamos juntas, abraçadinhas e gateando e se cheirando, vendo desenho na sala. Porque né, não sou obrigada.

Página Seguinte »